Sabe aquele dia que você não deveria sair de casa porque tudo dá errado? Pois é, vou contar o que me aconteceu...
Saí com minha esposa para nosso trajeto de sempre: levá-la ao trabalho e depois seguir com o táxi. Mas, de repente, o pneu furou.
Parei num posto de combustível para trocá-lo. O calor estava infernal, suei tanto que meus óculos embaçaram. Tirei e coloquei em cima do carro.
Depois da troca, saímos apressados porque minha esposa já estava atrasada.
Ao chegar à firma dela. Foi aí que perguntei pelos meus óculos.
— Ué! Você não pegou? — perguntou ela.
— Claro que não! Pensei que você ia pegar.
— Como assim?! O óculos é seu, a responsabilidade é sua!
Ficamos naquele jogo de empurra, e ainda levei bronca. Mas eu estava decidido a voltar para procurá-lo.
Ela tentou me convencer do contrário:
— A essa altura, já passaram por cima com o carro.
Não sei como, mas mulher tem um sexto sentido...
Mesmo assim, fui. Perguntei ao frentista do posto, ele não viu nada. Vasculhei o chão, nada dos óculos.
Voltei para o carro e saí dirigindo devagar, olhos fixos no asfalto, com esperança de achá-los. Foi quando entrei numa rua à direita e...
"PIIIIIIIIIIIIIIIII!"
Olhei pelo retrovisor. Um guarda de trânsito gesticulava furiosamente.
Só então percebi que tinha entrado na contramão! Até o dia anterior, aquela rua não era contramão... mas agora era.
E para piorar, vinha um ônibus na minha direção!
Sem pensar duas vezes, entrei na primeira rua à direita para sair logo da infração.
Parei o carro e fui tentar conversar com o policial. De cara, levei um sermão. Expliquei tudo o que tinha acontecido. Claro, ele não acreditou.
Olhou para um camelô e riu:
— O que as pessoas não inventam para escapar de multa, hein?
— Mas, seu guarda, eu juro! Eu não sabia da mudança da rua... Será que não dá para quebrar o galho? Tô cheio de pontos na carteira, isso vai me prejudicar...
Ele foi direto:
— Não dá. E não foi uma multa só, foram duas.
— Duas?!
— Essa outra rua que você dobrou também é contramão. Mas... a gente pode conversar.
"Aí tem...", pensei.
Tava na cara que ele queria propina. Mas e se eu falasse em dinheiro e ele não fosse corrupto? Eu que ia preso, né?!
Não precisou de muito suspense. Ele foi direto ao ponto:
— Faz uma doação aí... duzentão.
Sou contra a corrupção, mas naquele momento, se não chegasse a um acordo, ia me ferrar por causa da pontuação. Tentei negociar:
— Seu guarda, duzentos é muito... ainda nem peguei passageiro! Só tenho trinta reais...
Ele riu.
— Tá maluco?! Eu ainda tenho que dividir com um batalhão inteiro!
Acabamos fechando em cem reais. Mas quando perguntei que garantia eu tinha de que as multas não chegariam, ele se ofendeu:
— Você está desconfiando de uma autoridade?!
— Claro que não, doutor! Jamais "desconfiaria" do senhor...
Tive que ir ao banco sacar o dinheiro. Minha conta já estava negativa, então entrei no cheque especial. O que eu poderia fazer? Não tinha outro jeito.
Quando voltei, o oficial apertou minha mão e disse:
— Pode contar comigo pra qualquer coisa! Estou sempre por aqui.
O que o dinheiro não faz, né? Agora eu era “amigo” do cara...
Depois disso, desisti do dia. Já estava desanimado e com medo de mais imprevistos.
Afinal, em poucas horas:
✔ Furei um pneu.
✔ Perdi os óculos.
✔ Avancei dois sinais.
✔ Entrei na contramão.
✔ Fui achacado por um guarda.
✔ E ainda saí devendo juros bancário.
Mas tudo bem... como dizem: dos males, o menor.
Pelo menos, meu "amigo" foi bonzinho. Imagina se, além das multas, ele ainda resolvesse me multar por estar dirigindo sem óculos.

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