UM PINGUÇO EM MEU TÁXI
Ao pegar um sujeito, aparentando ter uns trinta anos, fiquei logo arrependido, pois o cara estava com um bafo de cana horrível.
Pediu-me que fosse ao bairro de Madureira e que não precisasse correr. Andei por alguns quilômetros e escutei um barulho estranho. Foi quando olhei e vi que o homem estava dormindo e também roncando.
Se eu fosse outro, poderia ter dado um monte de voltas para que o taxímetro marcasse mais, e o dorminhoco nem notaria. Meio sem graça, resolvi chamá-lo:
Amigo, me desculpe acordá-lo, mas o senhor esqueceu de me dizer o nome da rua.
Ah, leve-me para uma sauna que tem em Madureira, mas antes, pare naquele bar ali – disse ele, sonolento.
Do carro, vi que ele tomou uma pinga e ainda veio bebendo uma cerveja em lata.
Toca aí, piloto!
O senhor me faz um favor? Toma cuidado para não entornar a cerveja no banco.
Mal terminei de falar, e o pé de cana entornou tudo em seu colo, molhando o banco também.
Olha só, acabei de falar, e o senhor entornou tudo. Dormiu de novo?
Não faz mal, ainda tenho dez reais, dá para comprar mais duas latinhas de cerveja e a calça seca rapidinho – disse ele.
Não faz mal!? O senhor molhou o banco e vai ficar cheirando a cerveja... Além disso, que história é essa de só ter dez reais?
O taxímetro já estava marcando vinte reais, e o malandro tinha dito que só tinha dez reais. Ele se entregou.
Não esquenta, não, no final vai dar tudo certo – disse o safado.
Acho melhor dar tudo certo mesmo, hein!? Por que o senhor não vai para casa? Assim vai poder dormir em sua cama.
Em sua casa poderia ser que ele tivesse o dinheiro da corrida, ou então, eu cobraria de algum parente...
Ir para casa!? Você está maluco? Minha mulher me botou para fora e não quer me ver nem pintado.
Imagino o que o senhor não aprontou...
Eu estava pressentindo que vinha confusão pela frente.
Olha aqui, não conheço nenhuma sauna em Madureira. Outra coisa, quero saber como será o pagamento dessa corrida.
Está vendo aquela rua ali? É lá, entra nela... Fica tranquilo, taxista...
Chegando ao final daquela rua, não havia sauna nenhuma. Quando fui perguntar de novo, olhei para o lado e ele estava dormindo novamente.
Resolvi ir para um lugar mais movimentado. Estava pensando até em procurar uma viatura policial e dizer que aquele cidadão estava sem dinheiro para pagar a corrida. Foi quando ele acordou, muito estranho, estava pálido, engolindo a seco, e disse:
Pára o carro, pára! Estou com vontade de vomitar.
Dei uma freada brusca, o pinguço acertou a cabeça no pára-brisa, abriu a porta do carro e saiu golfando com a mão na boca. Sujou um pouco o carro de vômito, mas foi o tempo certo. Eu, como não posso ver nem sentir cheiro de vômito, acelerei e saí correndo dali. Tive de ir embora para casa, porque, com o banco molhado de cerveja e também vomitado, não dava para continuar com o trabalho, até porque meu estômago já estava embrulhando. Foi quando me dei conta:
Ih, caramba!!! Além de não cobrar a corrida, esqueci de pegar os dez reais que ele ainda tinha.

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