Florisbela e o Paraíso
Florisbela era uma menina muito pobre. Estava sentada no chão de sua casa, desenhando, quando sua mãe a surpreendeu com um convite inesperado:
— Filha, vamos ao cinema?
Com os olhos cheios de lágrimas, a menina perguntou:
— Mas, mamãe… ontem a senhora disse que não tinha dinheiro nem para comprar comida. Como conseguiu o dinheiro para irmos ao cinema?
— Um amigo da mamãe nos deu duas entradas. Além de você ir ao cinema pela primeira vez, quero te mostrar uma coisa. Ele me disse que o filme se passa em um lugar muito bonito, chamado Paraíso. Quero que você conheça esse lugar, porque foi lá que eu estive.
— Foi lá que você se inspirou no meu nome, né? Mas como você foi ao Paraíso, se disse que estava dormindo?
A mãe sorriu com tristeza.
— Foi lá que tudo começou… Eu estava andando com o seu Pai em um lugar escuro quando dois homens maus apareceram. Eles estavam armados. Fizeram muito mal à mim, e a ele, quase me mataram… Fui parar no hospital.
— Mas, mamãe, você foi parar no hospital ou no Paraíso?
— Dizem que, quando morremos, vamos para o Paraíso. Eu cheguei a ir, mas os médicos conseguiram me trazer de volta. Depois, descobri que Deus também queria que eu voltasse… e me deu o presente mais lindo que eu poderia receber: você, Florisbela!
A menina hesitou e então perguntou:
— E o papai? Onde ele está?
A mãe abaixou os olhos, pensativa.
— O papai ficou lá… não pôde voltar. Depois do que aconteceu comigo, a polícia chegou atirando, e ele foi atingido. Chegamos juntos ao Paraíso, mas Jesus o levou para outro plano. Ele não pôde retornar.
Florisbela suspirou.
— Mamãe… eu queria conhecer esse Paraíso também. Talvez lá a gente não passasse tanta fome…
A mãe acariciou seus cabelos e disse com firmeza:
— Não é assim, filha… Esquece isso. Além do mais, você ainda é muito novinha.
Chegando ao cinema, entraram na fila para comprar os ingressos. Mas, de repente, um barulho interrompeu o momento. Um assalto. O segurança do local reagiu, e um disparo ecoou no ar. A bala perdida encontrou a cabeça da menina.
A mãe, desesperada, correu para fora do cinema… e, tomada pelo desespero, atirou-se na frente do primeiro carro que passava.
Florisbela, que nunca havia conhecido o cinema, conheceu o Paraíso. E sua mãe, ao tentar reencontrá-la, acabou seguindo outro caminho… nunca mais a vendo, pois cometeu suicídio.
Nesta vida, ou em outras, precisamos passar por certas provações para que nosso espírito evolua. Sejam boas ou ruins, são experiências necessárias. Mas nunca pelo caminho do suicídio, pois isso nos faz retroceder e sofrer ainda mais.
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