Livinha e os Peixinhos
Livinha era uma menininha levada, faladeira e muito inteligente.
Certo dia, foi com sua mãe visitar a avó. Assim que chegaram, a menina avistou um aquário muito bonito e ficou encantada.
— Vovó, dessa eu bincá com os pessinhos? — perguntou, com os olhos vidrados nos peixinhos coloridos.
— Não pode, meu amor, senão eles morrem.
Livinha franziu a testa.
— Que é iiixo, vovó?
— Que isso, o quê, benzinho?
— Molem.
A avó sorriu, compreendendo a dúvida da neta.
— Ah… você quis dizer "morrem"! As pessoas e os animais, quando morrem, vão para o céu. Viram Anjinhos...
A menina arregalou os olhinhos.
— É… Vai nacher ajinha neles?
— Você quis dizer "vai nascer asinha neles", não é? É quase isso, minha netinha linda!
— Mamãe… eu tabém quelo ir pu xéu!
A mãe riu e a abraçou.
— Filhinha, tudo tem sua hora, meu amor.
Para distraí-la, pegou alguns brinquedos que trouxera e os deu para Livinha brincar, enquanto ia ajudar a terminar o almoço na cozinha. A menina se entretinha com os brinquedos, mas não tirava os olhos do aquário. Até que, brincando com massinha, sujou as mãos e quis lavá-las.
— Mamãe, quelo lavá a mãojinha.
— Filha, mamãe também está com as mãos sujas. Vai ali no tanque lavar as suas, tá bom?
A avó completou:
— Tem uma caixa de sabão em pó no banquinho, pode pegar.
Era tudo que Livinha queria! Independente como era, lavou as mãozinhas e, de repente, teve uma ideia.
— Cabei de lavá a mãojinha… agola vô, dei um banhinho na minha filhinha (a boneca). Há… vô dei tabém um banhinho nos pessinhos. — sussurrou animada.
Alguns minutos se passaram e a mãe estranhou o silêncio.
— Mãe, você não acha que tá um silêncio sepulcral? Vou ver o que essa menina está aprontando.
Chegando perto do aquário tomou aquele susto, tinha espuma para todos os lados, incluindo o carpete da sala e todos os seus brinquedos que estavam ao chão. Quanto ao peixinhos morreram afogados... só que na espuma.
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