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sexta-feira, 7 de março de 2025

DESPEDIDA DE SOLTEIRO


Faltavam três dias para o casamento e Agripino já estava começando a ficar tenso. Ele, que sempre foi muito tímido, não conseguia parar de pensar no momento em que teria que entrar na igreja e encarar o padre, com toda aquela gente olhando. Conversou com seu amigo Adegesto Pataca sobre o quanto estava nervoso, e mal podia esperar para que aquele dia chegasse e terminasse logo.

Foi quando Adegesto teve a brilhante ideia de sair todas as noites para tomar umas e outras, até o dia do casamento. Ele sugeriu também fazer uma despedida de solteiro com os amigos mais chegados, para aliviar a pressão.

  • Claro! Um pouco de cerveja vai me ajudar a relaxar! – disse Agripino, aceitando a proposta sem pensar duas vezes.

E assim, Agripino começou a beber todos os dias. Afinal, ele estava prestes a se casar, e precisava se acalmar. Quando chegou a véspera do grande dia, Adegesto foi até a casa de Agripino para começar a despedida de solteiro. Juntaram-se aos amigos e partiram para os lugares mais badalados da cidade.

  • Onde vocês estão me levando? Não posso demorar, tenho que fazer um monte de coisas amanhã antes do casamento! – reclamou Agripino, mas sua preocupação logo foi esquecida quando o álcool começou a fazer efeito.

Primeiro, foram para um restaurante, depois para uma boate e, por fim, acabaram numa sáuna. Já tarde da noite, quando todos estavam se preparando para ir embora, Agripino, totalmente embriagado, disse que ficaria mais um pouco.

  • Vamos embora, Agripino, amanhã você tem que acordar cedo! – disse um dos amigos.
  • Daqui a pouco vou, mas olha aquele "avião" me dando mole, vou investir nela! – respondeu Agripino, visivelmente doidão.

Os amigos, preocupados, avisaram que naquele lugar, qualquer mulher daria em cima dele, desde que ele tivesse dinheiro para pagar, e decidiram partir. Mas Agripino, completamente fora de si, decidiu que ficaria e tentaria algo com a mulher que o atraiu.

  • Do jeito que ele está, amanhã não vai casar, não – comentou Adegesto para os amigos.

No dia do casamento, a preocupação começou a tomar conta. A noiva já havia chegado atrasada, o que é normal. O que não é normal é o noivo chegar com atraso, e foi o que aconteceu. Aí...o público começou a comentar.

  • Será que ele não vem? – perguntavam os convidados, uns aos outros.

Adegesto estava muito preocupado. Ele sabia que Agripino havia bebido demais e, a essa altura, se arrependeu de tê-lo deixado sozinho.

  • O cara bebeu muito! Não devia ter deixado ele sozinho naquele lugar... – lamentou Adegesto.
  • Será que ele deu em cima daquela mulher? – perguntou outro amigo.
  • Não acredito, ele é muito tímido para isso. – disse outro.

De repente, Agripino apareceu, dirigindo seu carro, todo amarrotado, andando de maneira estranha, como se estivesse com dificuldades até para caminhar. Ele encontrou os amigos e, com um tom de derrota, falou:

  • Vocês me colocaram numa furada...me deixaram sem dinheiro e acabei de sair da delegacia. Vocês são "mui" amigos.
Fim

*ALEXANDRE M. BRITO* 


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