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sexta-feira, 7 de março de 2025

A PASSAGEIRA MISTERIOSA

A Passageira Misteriosa

Uma passageira entrou no meu táxi. Estava, digamos assim, "camuflada" com: óculos escuros, um chapéu igual ao da Carmen Miranda, um capote que mais parecia aquele do Dunga, ex-técnico da seleção Brasileira, e botas até o joelho. Muito estranha… mas também muito bonita.

Ela disse seu destino e começou a chorar. Sem saber o que fazer, e ao mesmo tempo, curioso, também fiquei sem saber se partia ou se perguntava o motivo do chororô. Decidi perguntar se ela estava passando mal.

— Não… — respondeu, enxugando as lágrimas. — Choro por outro motivo…

Não querendo falar mais nada, ficou em silêncio.

Meio persistente, arrisquei:

— Senhora, como dizia Roberto Carlos naquela música… “Taxista é um analista urbano”, pode confiar e desabafar.

Levei um baita fora. Não colou.

Chegando ao destino, ela pediu que eu aguardasse um pouco, pois iria pegar um amigo. Nesse momento, já havia parado de chorar e parecia muito tensa.

Esperei cerca de meia hora e perguntei se ele viria mesmo.

— Sim, ele já está chegando… — disse, fingindo falar ao celular.

Mas nada dele aparecer.

Quando se passou quase uma hora, avisei que teria um compromisso e não poderia esperar mais. Foi quando ela puxou uma nota de cem reais e colocou na minha mão.

— O compromisso nem é tão importante assim… Posso esperar o tempo que for necessário! — disse eu, sorrindo.

De repente, um carro de vidros escuros saiu do prédio em frente. Ela arregalou os olhos e pediu para eu segui-lo.

— É o seu amigo? — perguntei.

Muito nervosa, acabou confessando:

— Estou desconfiada do meu marido… Acho que ele está me traindo. E agora vi uma mulher dentro do carro com ele!

Estranhei, pois os vidros eram tão escuros que não dava para ver nada. Mas segui mesmo assim.

O sujeito dirigia rápido e estava difícil alcançá-lo. Até que o trânsito começou a ficar mais lento, e consegui colar nele. Mas, justo quando ia vê-lo melhor, um carro entrou na minha frente, me atrapalhando. Em seguida, o semáforo fechou.

A doida surtou.

— Seu morrinha! Seu roda presa! Tartaruga de táxi!

Começou a me xingar de tudo quanto era nome.

Fiquei revoltado.

— Olha, senhora, não vou mais seguir aquele carro.

Então, ela puxou mais uma nota de cem reais e enfiou no meu bolso.

Respirei fundo.

— Aquele outro carro me atrapalhou, mas pode deixar… A partir de agora, nem semáforo me segura!

Saí cantando pneu, tentando recuperar a distância. Quase atropelei um cachorro, raspei a roda no meio-fio e caí num bueiro. Mas finalmente consegui emparelhar com o carro do "marido infiel".

A mulher botou a cabeça para fora e começou a berrar:

— Para, seu safado! Hoje você vai apanhar, seu filho disso, filho daquilo, seu mariquinha!

Gritava tanto que até aprendi alguns palavrões novos.

E ainda me intimou:

— Dá uma fechada nele!

— A senhora tá doida? Isso é perigoso demais!

Então, abriu a bolsa e pegou duzentos reais.

Não pensei duas vezes.

Taquei o carro na frente do outro, e fomos parar em cima de um canteiro passando por cima do meio fio.

De repente, a porta do carro se abriu. Saiu um moreno forte pra cacete, mais forte que o Minotauro e o Anderson Silva juntos… e ainda com um porrete na mão!

Primeiro achei que fosse o motorista ou segurança. Mas, pela cara de pânico da mulher, percebi que a gente estava encrencado.

Ela ficou branca como vela e sussurrou:

— Aquele… não é meu marido.

Depois berrou desesperada:

— Sai fora daqui, pelamordedeus!

Nem esperei a gorjeta que ela sempre colava no meu bolso. Só acelerei e sumimos dali.


Fim

*ALEXANDRE M. BRITO* 



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