Era uma vez um beija-flor que morava em uma árvore de um sítio. Quando chegava o outono e o inverno, ele tinha muita dificuldade para sugar o néctar das flores, pois muitas murchavam e até morriam.
Lilica, a netinha dos donos do sítio, tinha um coração bondoso e percebeu a dificuldade daquele pequeno pássaro. Certo dia, foi até sua avó e disse:
— Vovó, estou com peninha daquele passarinho...
— Que passarinho, meu amor?
— Aquele que fica beijando as florezinhas.
— Ah, o beija-flor...
— Isso, isso, isso!
— Mas por que você está com peninha dele?
— Porque ele gosta de namorar as flores, fica beijando todas elas… Só que agora não vejo quase flores, e ele se cansa muito de procurar.
A avó sorriu e explicou:
— Estamos no outono, minha querida. É uma época em que muitas flores e folhas caem, mas, quando chegar a primavera, elas voltarão com mais força e beleza. Mas não se preocupe, vou comprar um bebedouro para ele. A gente coloca água com açúcar, e ele vai adorar.
— Oba! Obrigada, vovó!
E assim foi feito. Porém, a avó pendurou o bebedouro no telhado da varanda e se esqueceu de um pequeno detalhe: Bichano, o gatinho de estimação da família, adorava dormir lá em cima.
O beija-flor, que Lilica carinhosamente apelidara de Beijo Doce, passou a visitar o bebedouro várias vezes ao dia. Ele parecia estar agradecendo, tamanha era sua felicidade ao encontrar aquela água docinha.
Mas esse era o grande perigo.
Bichano, apesar de ser um gato dócil, começou a ficar cada vez mais interessado naquele passarinho, que voava de um lado para o outro bem na sua frente. No fundo, ele só queria brincar, mas... instinto de gato é instinto de gato.
Certo dia, depois de receber um carinho de Lilica, Bichano subiu no telhado e se escondeu atrás de umas folhas, esperando o momento certo para dar o bote. Ficou lá, quietinho, sem se mexer.
Não demorou muito e Beijo Doce apareceu para beber sua aguinha.
O gato, sem pensar duas vezes, saltou para pegá-lo!
Mas o beija-flor era ágil e, em um movimento rápido, desviou e escapou ileso.
Bichano, porém, esqueceu de um detalhe importante... estava no telhado!
Sem equilíbrio, perdeu o controle e caiu direto dentro do poço.
Lilica, que adorava observar o beija-flor, viu a cena e gritou:
— Vovó, corre! O Bichano caiu no poço!
A avó veio correndo e, sem perder tempo, amarrou uma corda em um balde e abaixou até onde o gatinho estava.
Bichano, todo molhado e arrepiado, se agarrou ao balde e foi puxado para cima.
Assim que saiu, sacudiu-se todo, espirrando água para todos os lados, enquanto Lilica ria aliviada.
— Viu, Bichano? Isso é o que acontece quando se tenta pegar um amigo!
Desde então, o gatinho nunca mais tentou capturar Beijo Doce, e os dois passaram a dividir a varanda em paz.
E Lilica, feliz, continuou cuidando do beija-flor, enquanto Bichano aprendeu a respeitar seu pequeno amigo de asas. Porém com um olhar sempre maldoso...
Fim.
*ALEXANDRE M. BRITO*
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