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sexta-feira, 7 de março de 2025

PERDIDO EM SÃO PAULO


Gertrudes estava fazendo compras com sua prima pelas ruas de São Paulo, quando, de repente, o telefone tocou:

- Gertruuudes... onde você está?
- Estou na Avenida Paulista. E você, onde está?
- Acabei de sair do metrô. Como faço para chegar aí?
- Sei lá... fala com a Lindalva aqui, ela te explica.

Após meia hora de conversa ao celular, elas desligaram e voltaram às compras.

- Esse teu marido é enrolado, hein! Custa a entender as coisas.
- Você não conhece ele direito. O Aristeu é um caso sério, mas sabe o que mais me irrita nele? Ele é um comilão!
- Prima, ninguém está satisfeito com nada, né? Quem dera que meu marido comesse melhor, ele está tão magrinho.
- Pois é, mas o Aristeu... Sabe o que ele fez no outro dia?... Espera um minuto, o telefone está tocando novamente. Alô, fala Aristeu! O que foi agora?
- Gertrudes, eu estou perdido.
- Olha a placa da rua e vê o nome.
- Ihhh, vim parar na 25 de Março.
- Tu és muito enrolado! Fala com a prima aqui. Como é que ele foi parar na 25 de Março?

Ela explicou, explicou... e mais meia hora ao telefone se passou, porque Aristeu nunca entendia de primeira.

- Agora ele disse que entendeu. Mas, prima, o que você estava dizendo mesmo?
- Ah, eu ia contar o que ele fez noutro dia. Comeu todos os meus bombons e, com medo de eu brigar, colocou uma nota de vinte reais dentro da caixa de bombons, que ainda estava na geladeira, achando que isso ia amenizar minha bronca. Ele é demais!
- Não acredito, prima! E não teve um dia que ele comeu a sobremesa toda que você fez para a titia e depois ficou passando mal?
- Teve... Mas nesse dia, fiquei tão furiosa que coloquei laxante na bebida dele. Ele não almoçou nem com a mamãe porque não saía do banheiro. Mas ele não sabe disso, hein! Coitado, é tão desligado que nem imagina esse meu lado vingativo.
- Você teve coragem de fazer isso, prima?
- Às vezes ele me tira do sério. O telefone está tocando de novo... Alô!!

- Gertrudes, vim parar na estação do metrô de novo. Desisto, vou embora. Aproveito que estou aqui em frente, é só pegar o metrô de volta.

Isso, Aristeu, vai ver televisão na casa da Lindalva, só assim você não enche o saco e desligou.

Ihhhh... Lindalva acho melhor a gente também voltar para casa, porque, mais tarde, quando chegarmos não vai ter comida nenhuma na geladeira, o Glutão vai comer tudo.


Fim


*ALEXANDRE M. BRITO*




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DESPEDIDA DE SOLTEIRO


Faltavam três dias para o casamento e Agripino já estava começando a ficar tenso. Ele, que sempre foi muito tímido, não conseguia parar de pensar no momento em que teria que entrar na igreja e encarar o padre, com toda aquela gente olhando. Conversou com seu amigo Adegesto Pataca sobre o quanto estava nervoso, e mal podia esperar para que aquele dia chegasse e terminasse logo.

Foi quando Adegesto teve a brilhante ideia de sair todas as noites para tomar umas e outras, até o dia do casamento. Ele sugeriu também fazer uma despedida de solteiro com os amigos mais chegados, para aliviar a pressão.

  • Claro! Um pouco de cerveja vai me ajudar a relaxar! – disse Agripino, aceitando a proposta sem pensar duas vezes.

E assim, Agripino começou a beber todos os dias. Afinal, ele estava prestes a se casar, e precisava se acalmar. Quando chegou a véspera do grande dia, Adegesto foi até a casa de Agripino para começar a despedida de solteiro. Juntaram-se aos amigos e partiram para os lugares mais badalados da cidade.

  • Onde vocês estão me levando? Não posso demorar, tenho que fazer um monte de coisas amanhã antes do casamento! – reclamou Agripino, mas sua preocupação logo foi esquecida quando o álcool começou a fazer efeito.

Primeiro, foram para um restaurante, depois para uma boate e, por fim, acabaram numa sáuna. Já tarde da noite, quando todos estavam se preparando para ir embora, Agripino, totalmente embriagado, disse que ficaria mais um pouco.

  • Vamos embora, Agripino, amanhã você tem que acordar cedo! – disse um dos amigos.
  • Daqui a pouco vou, mas olha aquele "avião" me dando mole, vou investir nela! – respondeu Agripino, visivelmente doidão.

Os amigos, preocupados, avisaram que naquele lugar, qualquer mulher daria em cima dele, desde que ele tivesse dinheiro para pagar, e decidiram partir. Mas Agripino, completamente fora de si, decidiu que ficaria e tentaria algo com a mulher que o atraiu.

  • Do jeito que ele está, amanhã não vai casar, não – comentou Adegesto para os amigos.

No dia do casamento, a preocupação começou a tomar conta. A noiva já havia chegado atrasada, o que é normal. O que não é normal é o noivo chegar com atraso, e foi o que aconteceu. Aí...o público começou a comentar.

  • Será que ele não vem? – perguntavam os convidados, uns aos outros.

Adegesto estava muito preocupado. Ele sabia que Agripino havia bebido demais e, a essa altura, se arrependeu de tê-lo deixado sozinho.

  • O cara bebeu muito! Não devia ter deixado ele sozinho naquele lugar... – lamentou Adegesto.
  • Será que ele deu em cima daquela mulher? – perguntou outro amigo.
  • Não acredito, ele é muito tímido para isso. – disse outro.

De repente, Agripino apareceu, dirigindo seu carro, todo amarrotado, andando de maneira estranha, como se estivesse com dificuldades até para caminhar. Ele encontrou os amigos e, com um tom de derrota, falou:

  • Vocês me colocaram numa furada...me deixaram sem dinheiro e acabei de sair da delegacia. Vocês são "mui" amigos.
Fim

*ALEXANDRE M. BRITO* 


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ATRAPALHADOS AO EXTREMO





Atrapalhados ao Extremo

Na vida do crime, havia dois bandidos de alta periculosidade, mas que, para a criançada daquela pequena cidade, eram mais do que uma piada. Os dois costumavam se esconder em uma manilha perto de um esgoto, onde dificilmente alguém se aproximama, pois o cheiro era insuportável.

Bodão, isso aqui hoje está um horror! Acho que vou vomitar — disse Pedrão, um dos bandidos.

— Vai vomitar logo agora que eu ia preparar o nosso lanchinho? — retrucou Bodão.

— Lanchinho? Que lanchinho? Não sei como você consegue comer com esse cheiro!

— Aquele embrulho que nós roubamos do garotinho saindo da padaria, deve ser mortadela. E tem também aquele pão que você surrupiou da garupa da bicicleta daquela menina — falou Bodão.

Bodão, sabe quanto tempo tem isso? Sete dias! Você esqueceu que só hoje conseguimos nos livrar daqueles garotos que nos trancaram no galinheiro da casa da mãe de um deles?

— É mesmo… Por isso você está passando mal. Está todo cagado! Quem mandou dormir embaixo do poleiro das galinhas? Nem galinha a gente consegue roubar mais, Pedrão!

— Raios de moleques! Eu vou enforcar um por um — disse Pedrão.

— Você não consegue matar nem uma barata. É todo atrapalhado!

— Olha como fala, hein! E você que é um tremendo de um azarado, tudo o que rouba dá errado.

— Cala essa boca e vamos comer. O pão está um pouquinho duro, mas dá para comer. Abre logo esse embrulho — falou Bodão.

Pedrão abriu o embrulho devagarzinho, parecia adivinhar que algo estava errado.

— Ah… Pelo amor de Deus! Agora vou vomitar — e jogou o pacote longe.

— O que foi, Pedrão, que catinga é essa?

— Seu desgraçado! Eu te falei, tudo o que você rouba dá errado. Aquilo era um rato podre!

Rato!? Aquela pestinha vai me pagar!

Bodão, estamos sem moral nesse bairro. Nem um pirulito a gente consegue roubar mais... Acho que vou me aposentar.

Na realidade, essa dupla era de alta periculosidade em relação a eles mesmos, tudo dava errado devido as suas extremas atrapalhadas, corriam risco a todo instante.

Pedrão, você está ficando amarelo... Ih, acho que ele desmaiou… Ou deve estar dormindo? Bem, de qualquer forma, vou deixar ele descansar, tem andado muito nervoso ultimamente. Vou aproveitar e fazer um ganho para podermos jantar hoje. Afinal, ninguém é de ferro, não é? Já tem tempo que não janto.

Bodão saiu da manilha e foi para a porta de um colégio próximo esperar uma vítima para dar o bote. Foi quando apareceu uma menina de aproximadamente quinze anos, andando em sua direção.

— Essa vai ser uma presa fácil... Vou pegar o celular e a mochila dela. Pode ser também que tenha algum dinheiro ou alguma merenda — pensou Bodão.

Bodão colocou as mãos para trás e disse para a menina que estava armado e mandou que o entregasse tudo. Porém, o que ele não sabia era que sua sorte estava prestes a mudar. Como seu amigo já tinha avisado, ele era um tremendo azarado.

Naquele momento, apareceu uma patrulha… mas não era qualquer patrulha! Era a patrulha dos garotos insanos do colégio, que já estavam à procura de Bodão. Armados com ovos, tomates podres e tintas velhas, deram-lhe um tremendo flagrante e o rodearam.

Coitado de Bodão!

Quando Pedrão acordou, sentiu falta de seu parceiro e, como estava com muita fome, saiu para "trabalhar". Avistou um garotinho sozinho com uma sacola na mão. Sem pensar muito, saiu correndo em sua direção, atravessou a rua… e foi atropelado.

Coitado do Pedrão!

Mais tarde, no hospital:

Oi, Pedrão... Você por aqui também?!

— É, amigo, pelo menos aqui temos o que comer, não é verdade?

— E o mais importante, aqui aqueles pestinhas não aparecem.

— A enfermeira já me deu até um banho, porque não consigo me mexer. Tudo dói...

— Só assim você toma banho... Mas já era hora, não é, amigo? Você estava muito fedorento!

O que eles não esperavam é que lá fora já tinha um grupo de garotos planejando como invadir o hospital e jogar pó de mico em suas camas.


Fim

*ALEXANDRE M. BRITO* 



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BEIJO DOCE E A TRAVESSURA DE BICHANO

Beijo Doce e a Travessura de Bichano

Era uma vez um beija-flor que morava em uma árvore de um sítio. Quando chegava o outono e o inverno, ele tinha muita dificuldade para sugar o néctar das flores, pois muitas murchavam e até morriam.

Lilica, a netinha dos donos do sítio, tinha um coração bondoso e percebeu a dificuldade daquele pequeno pássaro. Certo dia, foi até sua avó e disse:

— Vovó, estou com peninha daquele passarinho...

— Que passarinho, meu amor?

— Aquele que fica beijando as florezinhas.

— Ah, o beija-flor...

— Isso, isso, isso!

— Mas por que você está com peninha dele?

— Porque ele gosta de namorar as flores, fica beijando todas elas… Só que agora não vejo quase flores, e ele se cansa muito de procurar.

A avó sorriu e explicou:

— Estamos no outono, minha querida. É uma época em que muitas flores e folhas caem, mas, quando chegar a primavera, elas voltarão com mais força e beleza. Mas não se preocupe, vou comprar um bebedouro para ele. A gente coloca água com açúcar, e ele vai adorar.

— Oba! Obrigada, vovó!

E assim foi feito. Porém, a avó pendurou o bebedouro no telhado da varanda e se esqueceu de um pequeno detalhe: Bichano, o gatinho de estimação da família, adorava dormir lá em cima.

O beija-flor, que Lilica carinhosamente apelidara de Beijo Doce, passou a visitar o bebedouro várias vezes ao dia. Ele parecia estar agradecendo, tamanha era sua felicidade ao encontrar aquela água docinha.

Mas esse era o grande perigo.

Bichano, apesar de ser um gato dócil, começou a ficar cada vez mais interessado naquele passarinho, que voava de um lado para o outro bem na sua frente. No fundo, ele só queria brincar, mas... instinto de gato é instinto de gato.

Certo dia, depois de receber um carinho de Lilica, Bichano subiu no telhado e se escondeu atrás de umas folhas, esperando o momento certo para dar o bote. Ficou lá, quietinho, sem se mexer.

Não demorou muito e Beijo Doce apareceu para beber sua aguinha.

O gato, sem pensar duas vezes, saltou para pegá-lo!

Mas o beija-flor era ágil e, em um movimento rápido, desviou e escapou ileso.

Bichano, porém, esqueceu de um detalhe importante... estava no telhado!

Sem equilíbrio, perdeu o controle e caiu direto dentro do poço.

Lilica, que adorava observar o beija-flor, viu a cena e gritou:

— Vovó, corre! O Bichano caiu no poço!

A avó veio correndo e, sem perder tempo, amarrou uma corda em um balde e abaixou até onde o gatinho estava.

Bichano, todo molhado e arrepiado, se agarrou ao balde e foi puxado para cima.

Assim que saiu, sacudiu-se todo, espirrando água para todos os lados, enquanto Lilica ria aliviada.

— Viu, Bichano? Isso é o que acontece quando se tenta pegar um amigo!

Desde então, o gatinho nunca mais tentou capturar Beijo Doce, e os dois passaram a dividir a varanda em paz.

E Lilica, feliz, continuou cuidando do beija-flor, enquanto Bichano aprendeu a respeitar seu pequeno amigo de asas. Porém com um olhar sempre maldoso...

Fim.


*ALEXANDRE M. BRITO*




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A PASSAGEIRA MISTERIOSA

A Passageira Misteriosa

Uma passageira entrou no meu táxi. Estava, digamos assim, "camuflada" com: óculos escuros, um chapéu igual ao da Carmen Miranda, um capote que mais parecia aquele do Dunga, ex-técnico da seleção Brasileira, e botas até o joelho. Muito estranha… mas também muito bonita.

Ela disse seu destino e começou a chorar. Sem saber o que fazer, e ao mesmo tempo, curioso, também fiquei sem saber se partia ou se perguntava o motivo do chororô. Decidi perguntar se ela estava passando mal.

— Não… — respondeu, enxugando as lágrimas. — Choro por outro motivo…

Não querendo falar mais nada, ficou em silêncio.

Meio persistente, arrisquei:

— Senhora, como dizia Roberto Carlos naquela música… “Taxista é um analista urbano”, pode confiar e desabafar.

Levei um baita fora. Não colou.

Chegando ao destino, ela pediu que eu aguardasse um pouco, pois iria pegar um amigo. Nesse momento, já havia parado de chorar e parecia muito tensa.

Esperei cerca de meia hora e perguntei se ele viria mesmo.

— Sim, ele já está chegando… — disse, fingindo falar ao celular.

Mas nada dele aparecer.

Quando se passou quase uma hora, avisei que teria um compromisso e não poderia esperar mais. Foi quando ela puxou uma nota de cem reais e colocou na minha mão.

— O compromisso nem é tão importante assim… Posso esperar o tempo que for necessário! — disse eu, sorrindo.

De repente, um carro de vidros escuros saiu do prédio em frente. Ela arregalou os olhos e pediu para eu segui-lo.

— É o seu amigo? — perguntei.

Muito nervosa, acabou confessando:

— Estou desconfiada do meu marido… Acho que ele está me traindo. E agora vi uma mulher dentro do carro com ele!

Estranhei, pois os vidros eram tão escuros que não dava para ver nada. Mas segui mesmo assim.

O sujeito dirigia rápido e estava difícil alcançá-lo. Até que o trânsito começou a ficar mais lento, e consegui colar nele. Mas, justo quando ia vê-lo melhor, um carro entrou na minha frente, me atrapalhando. Em seguida, o semáforo fechou.

A doida surtou.

— Seu morrinha! Seu roda presa! Tartaruga de táxi!

Começou a me xingar de tudo quanto era nome.

Fiquei revoltado.

— Olha, senhora, não vou mais seguir aquele carro.

Então, ela puxou mais uma nota de cem reais e enfiou no meu bolso.

Respirei fundo.

— Aquele outro carro me atrapalhou, mas pode deixar… A partir de agora, nem semáforo me segura!

Saí cantando pneu, tentando recuperar a distância. Quase atropelei um cachorro, raspei a roda no meio-fio e caí num bueiro. Mas finalmente consegui emparelhar com o carro do "marido infiel".

A mulher botou a cabeça para fora e começou a berrar:

— Para, seu safado! Hoje você vai apanhar, seu filho disso, filho daquilo, seu mariquinha!

Gritava tanto que até aprendi alguns palavrões novos.

E ainda me intimou:

— Dá uma fechada nele!

— A senhora tá doida? Isso é perigoso demais!

Então, abriu a bolsa e pegou duzentos reais.

Não pensei duas vezes.

Taquei o carro na frente do outro, e fomos parar em cima de um canteiro passando por cima do meio fio.

De repente, a porta do carro se abriu. Saiu um moreno forte pra cacete, mais forte que o Minotauro e o Anderson Silva juntos… e ainda com um porrete na mão!

Primeiro achei que fosse o motorista ou segurança. Mas, pela cara de pânico da mulher, percebi que a gente estava encrencado.

Ela ficou branca como vela e sussurrou:

— Aquele… não é meu marido.

Depois berrou desesperada:

— Sai fora daqui, pelamordedeus!

Nem esperei a gorjeta que ela sempre colava no meu bolso. Só acelerei e sumimos dali.


Fim

*ALEXANDRE M. BRITO* 



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