Era mais um dia tranquilo de trabalho...estava eu trafegando com meu taxi numa via de mão única, me encontrava pelo lado esquerdo da pista, quando, um cidadão, também pela esquerda, fez sinal. Do lado direito da pista havia um ponto de ônibus. Quando parei, notei que houve um engano, ele olhava por cima do taxi em direção ao ônibus.
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domingo, 30 de maio de 2021
UM DOIDO EM MEU TAXI
Era mais um dia tranquilo de trabalho...estava eu trafegando com meu taxi numa via de mão única, me encontrava pelo lado esquerdo da pista, quando, um cidadão, também pela esquerda, fez sinal. Do lado direito da pista havia um ponto de ônibus. Quando parei, notei que houve um engano, ele olhava por cima do taxi em direção ao ônibus.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
UM PALHAÇO NA CIDADE
Um Palhaço na Cidade
Aquele cara era "o tal". Era também o assunto do momento naquela cidade pacata. Uma cidadezinha simples, onde o povo não tinha muitas opções de entretenimento além de bares e biroscas. Não era um lugar turístico, e seus habitantes não estavam acostumados com gente que ostentasse riqueza.
Um circo havia chegado, e com ele, um sujeito muito elegante: joias, roupas e sapatos de marca. O comentário geral era que ele deveria ser o dono do circo. Como o barzinho do Seu Severino era o mais próximo, ele passou a frequentá-lo.
— Seu Severino, o senhor já comprou o uísque de marca que o moço do circo pediu? — perguntou Josenildo, ajudante do bar.
— Já comprei, sim. Mas deu um trabalho danado! Tive que ir até a cidade vizinha e, ainda assim, só encontrei o nacional.
— Ihhh, Seu Severino… O homem é chique demais, não vai gostar disso.
— Deixa comigo… Cadê aquela garrafa velha com o rótulo rasgado de uísque importado que o falecido Rufino esqueceu aqui?
— Seu Severino, o senhor é demais! Dizem que quanto mais velho, melhor o uísque… Se a garrafa é velha e o rótulo está rasgado, ele vai achar que é um uísque raríssimo.
— Pois é. Agora enche logo essa garrafa de uísque nacional antes que ele apareça.
Nesse momento, o homem entrou no bar.
— Boa tarde, doutor! Seu Severino já está pegando o seu uísque! — disse Josenildo, disfarçando.
— Ótimo, vou tomar só uma dose e depois almoçar. Qual o cardápio de hoje?
— Olha, moço, aqui não temos cardápio, não. É PF mesmo. Tem ensopado de carne com batatas ou frango com quiabo.
— O senhor não tem um peixe, tipo… salmão com alcaparras?
— Eu nem sei o que é isso, meu bom senhor… Mas posso anotar e Seu Severino providenciará.
— Está bem, me sirva qualquer coisa então. Pode ser o ensopado. Ah, por favor, avise ao dono que hoje não deu pra eu ir ao banco. Amanhã eu acerto a conta, ok?
— Não se preocupe, doutor! Seu Severino nem esquenta com isso.
O homem aproveitou-se da gentileza e tomou umas dez cervejas, além da garrafa inteira daquele "uísque" falso. Saiu cambaleando, mais bêbado que peru de Natal.
No dia seguinte, Josenildo perguntou de novo:
— Seu Severino, o senhor já comprou aquele negócio lá… o peixe com "alcatar"?
— Seu burro! É salmão com alcaparras! E vê se não promete mais nada para ninguém! Esse sujeito só pede coisa cara e difícil de achar, e até agora não pagou nada!
— Mas o senhor comprou?
— Claro que não! Comprei cação e três pés de alface.
— Foi isso que ele pediu?
— Não, mas a gente dá um jeito. Ele paga o preço do salmão e come cação.
Minutos depois, o homem voltou ao bar.
— Boa tarde!
— Boa tarde, moço! Seu Severino já está aprontando seu cação com alface...
— Cação? Eu pedi salmão com alcaparras!
— Desculpe, moço, falei errado. O peixe ele até achou, mas o outro negócio, as... as alcapar... Ele não achou.
— Quer dizer que vou comer salmão com alface? Tá bom, então me traga uma dose daquele uísque.
— Então... O senhor tomou a garrafa toda ontem...
— Serve uma cachaçinha?
— Cachaça?! Você está louco? Eu sou homem de tomar cachaça?! Por que não compraram meu uísque?! Me traz uma cerveja mesmo.
— É pra já, doutor!
— Ah, e amanhã eu quero caviar.
— Nossa! Essa comida eu já ouvi falar, mas nunca vi, não, senhor…
— Vá pegar logo minha comida!
Mais tarde, Josenildo avisou ao patrão:
— Seu Severino, o moço do circo disse que amanhã quer comer caviar.
— O quê?! Eu te disse pra não prometer mais nada! Agora vou ter que ir até o Mercado do outro lado do rio! Vamos fechar mais cedo.
— Oba! Vamos sair mais cedo!? Acho que vou ao circo.
— Vamos sair mais cedo, sim, mas vou descontar do seu salário.
No dia seguinte, a esposa doente de Seu Severino ajudava na cozinha, pois ele ainda não havia voltado da longa jornada atrás do caviar. Então, o sujeito apareceu.
— Boa tarde! Seu Severino saiu para procurar seu pedido e ainda não voltou… O senhor quer esperar ou prefere um prato feito com macarrão, arroz, feijão e salada de alface?
— O quê?! Como vou esperar? Você já viu a hora?! Traga-me uma dose de uísque.
— Não tem, não senhor. Seu Severino não comprou… E acho que eu esqueci de lembrá-lo.
— Esqueceu?! Você é muito enrolado! Não volto mais aqui! A partir de hoje, só vou no concorrente. Adeus!
E saiu batendo o pé.
Minutos depois, Seu Severino chegou esbaforido, molhado, mas sorrindo.
— Achei! Achei o caviar! Vou direto pra cozinha preparar!
— Seu Severino…
— Agora não posso! Vou cozinhar o caviar e cobrar o triplo do preço!
— Seu Severino, acho que não precisa ter pressa, não…
— Ué, por quê? Ele vai chegar mais tarde?
— Não… Ele não vai chegar. Foi pro concorrente.
— O quê?! Mas ele pediu o caviar!
— Pois é… Mas o senhor demorou. E sem uísque, ele resolveu ir embora.
— Droga! Bom, pelo menos ele pagou a conta, né?
— Então… Eu esqueci de cobrar.
— O QUÊ?! SOME DAQUI! Vai atrás desse cara! E só volta com o dinheiro da conta!
Passaram-se alguns dias, e Seu Severino recebeu uma carta de Josenildo. Ela dizia:
"Seu Severino, como o senhor disse pra eu só voltar com o dinheiro da conta, ainda não consegui recuperar. Então, preferi escrever esta carta."
"Descobri que o sujeito não é dono do circo… É um mero PALHAÇO. Ele até me deu um relógio de ouro pela dívida, mas, quando vendi pro ourives, ele desfez o negócio e disse que era falso! Como eu disse que o relógio era seu, ele falou que vai chamar a polícia. CUIDADO!"
"E tem mais… Tudo o que o palhaço ostentava era falso. Agora ele está comendo no concorrente e, ironicamente, pagando tudo em dinheiro. O mais engraçado? Ele não pede nada caro. Come o que tem na casa."
"A propósito, estou trabalhando aqui no concorrente… Um forte abraço, Seu Severino."
FIM.
*ALEXANDRE M. BRITO*
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domingo, 24 de novembro de 2013
DONA ELIETE E OS ANIMAIS
- Gosto mais de animal do que de gente! - Assim dizia Dona Eliete, muito enojada da vida e do Ser Humano.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
O DIA DA COLONOSCOPIA
O DIA DA COLONOSCOPIA
Havia chegado o dia – aquele que prometia ser longo e péssimo. Um dia que ficaria marcado, porque, quando fazemos algo que não nos agrada, o tempo custa a passar. E foi exatamente o que aconteceu.
Bem, esse também foi o dia "D"... O dia "de" eu ter perdido a virgindade anal. Não para um pênis, muito menos para o dedo de um médico, mas sim para uma máquina. Máquina essa que nem sabe fazer um carinho ou, muito menos, sussurrar ao pé do ouvido.
Naquela manhã interminável, acordei cedo. Ou melhor, levantei da cama, porque, de tão tenso, não havia conseguido dormir direito. A noite fora longa, cheia de pesadelos e pensamentos sobre o que estava prestes a acontecer.
Eu era leigo no assunto, e o médico pouco me explicou. Disse apenas que seria algo parecido com o exame de endoscopia, só que "por trás". Também recomendou que eu fosse em jejum. Fiquei nervoso. Pensava que pudesse doer... ou, pior ainda, que eu pudesse gostar. Se doesse, como eu iria trabalhar sentado no meu táxi no dia seguinte? E se eu gostasse? Tantos homens adoram ser penetrados porque experimentaram uma vez... e gostaram.
"Será que vou virar gay?", pensava eu.
Para evitar qualquer constrangimento, tomei um banho caprichado. Com a buchinha que havia comprado na feira, esfreguei tudo. Usei até condicionador de cabelo e pasta de dentes, para não correr o risco de ter um "mau hálito anal". Até perfume passei, mas não sabia que ardia tanto... Vesti minha melhor cueca – ou pelo menos a que não tinha furos –, uma calça desbotada e uma camisa de malha justa, com os dizeres "Bad Boy", e fui à luta. Nessas horas, temos que demonstrar masculinidade, mesmo sabendo que, em breve, iriam me entubar pelo rabo.
Entrei no carro de um amigo taxista, que iria me levar aquele lugar "malditoso". Para minha surpresa, ele soltou uma gargalhada e perguntou:
— Tu vais fazer o exame pelo umbigo?
Não entendi a brincadeira, mas logo ele explicou:
— Cara, você tá de baby look!
Às vezes gosto de tomar umas cervejinhas, e minha barriga está um pouco saliente. A camisa apertada deixou meu umbigo completamente à mostra.
Cheguei à clínica mais nervoso ainda. Além de ser esculachado a viagem inteira, eu sabia o que me esperava no dia seguinte, no ponto de táxi. Conhecia o tamanho da língua do meu "amigo".
Uma atendente pediu que eu esperasse em um quarto. Mesmo dizendo que não precisava de companhia, meu amigo insistiu em ficar comigo.
Esperei por um longo tempo, com fome e sede, até que uma enfermeira apareceu:
— Coloca esse roupão aqui e fique sem nada por baixo. Depois, beba todo o líquido dessas três garrafas. Tem que tomar tudo, hein! Daqui a pouco volto para colocar o soro.
— Soro? Mas que soro? Ninguém me falou nada sobre soro!
O líquido era horrível, mas eu estava com sede, então beber foi fácil. O difícil foi o que veio depois.
Fui colocar o roupão e, para evitar mais constrangimento, saí do banheiro com a bunda encostada na parede, porque a parte de trás do roupão era completamente aberta. Meu "mui amigo" já estava pronto para tirar fotos de todos os ângulos. Além de linguarudo, o cara era um paparazzo amador.
Cada vez que eu ia ao banheiro, ia acompanhado de dois encostos: meu amigo, ansioso por um "furo de reportagem", e o pedestal do soro. Descobri, por outra enfermeira, que o exame seria só à tarde. Me mandaram chegar cedo apenas para a preparação.
Perguntei à Enfermeira como seria o procedimento:
--- Primeiro eles vão lhe aplicar uma anestesia. Na verdade não é anestesia, e sim, um "sossega leão".
— Sossega Leão? Mas que sossega leão é esse, minha senhora? O Médico não me falarou nada disso!
— Você vai dormir — disse ela.
O alívio inicial foi substituído por um novo medo. Afinal, já tinha ouvido histórias de pessoas que morreram sob efeito de anestesia, na qual, eu ainda achava que era.
Meu amigo se despediu dizendo que voltaria à tarde para me buscar. Fiquei aliviado. Pelo menos não precisaria mais me arrastar pelas paredes. Mas o vazio da solidão me trouxe outro pavor: e se eu morresse? Peguei o celular e comecei a mandar mensagens de despedida para a família e alguns amigos.
"Te amo", escrevi para todos.
O pior foi quando mandei mensagem para um amigo, agradecendo pela amizade e dizendo que ele não precisava mais pagar o que me devia. Ninguém entendeu nada...
Só não consegui me despedir da sogra porque, na hora de digitar, o médico entrou esbaforido no quarto.
— Quantas vezes você já foi ao banheiro? — perguntou.
— Doutor, eu não contei, mas acho que umas dez vezes.
— É pouco. Vou chamar a enfermeira.
Minutos depois, ouvi batidas na porta. Entrou uma enfermeira que eu ainda não conhecia. Linda, delicada. Segurava uma bisnaga misteriosa.
— Vira o bumbum... O senhor vai precisar de uma lavagem.
— O quê? Que lavagem? Não preciso de mais lavagem! Já lavei tudo muito bem, tanto aqui quanto em casa. Até condicionador, pasta de dentes e perfume eu passei!
— Não é por fora, meu senhor. É por dentro...
— Nem pensar! Quem mandou você fazer isso? Eu quero falar com o médico!
— Foi ele quem mandou, e agora está ocupado.
Fiquei arrasado. Além de me chamar de "senhor", ainda me enfiou aquele troço gelado sem me dar tempo de correr para o banheiro. Sujei a cama toda.
Por sorte, meu amigo não estava mais ali. Senão, teria mais um "furo de reportagem".
Depois desse episódio humilhante, quase vesti minhas roupas para ir embora. Mas aguentei firme. Concentrei-me, rezei e tentei me acalmar. Afinal, tem mulheres e até homens que lidam com coisas muito maiores a vida inteira e gostam!
De repente, entraram dois homens com uma maca.
— Vamos lá, chegou tua hora.
Já tão deprimido, achei que já estava morto. "Chegou minha hora de quê? De ser enterrado?"
— Pô, vocês não sabem bater na porta? E para que essa maca?
— São normas do hospital. O senhor tem que ir de maca...
— Não preciso ir de maca! E, por incrível que pareça, ainda estou vivo e andando! Além do mais, só vou fazer aquele exame... aquele que parece uma endoscopia... só que por baixo.
— Sim, mas acidentes acontecem. Seus intestinos podem ser perfurados.
— Aiii, meu Deus! Cadê o médico? Cadê meu amigo???
Tive que deitar na maca. Me levaram por corredores intermináveis. O anestesista fez algumas perguntas, aplicou uma injeção, e... apaguei.
Quando acordei, o médico estava ao meu lado.
— Tudo certo! O único problema foram os barulhos.
— Barulhos? Que barulhos, doutor?
— Rapaz, você ainda tinha gases lá dentro... e, nossa, como você ronca!
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
MISÉRIA, POESIA E TRISTEZA
ele não tinha saúde



