- Gosto mais de animal do que de gente! - Assim dizia Dona Eliete, muito enojada da vida e do Ser Humano.
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domingo, 24 de novembro de 2013
DONA ELIETE E OS ANIMAIS
- Gosto mais de animal do que de gente! - Assim dizia Dona Eliete, muito enojada da vida e do Ser Humano.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
O DIA DA COLONOSCOPIA
O DIA DA COLONOSCOPIA
Havia chegado o dia – aquele que prometia ser longo e péssimo. Um dia que ficaria marcado, porque, quando fazemos algo que não nos agrada, o tempo custa a passar. E foi exatamente o que aconteceu.
Bem, esse também foi o dia "D"... O dia "de" eu ter perdido a virgindade anal. Não para um pênis, muito menos para o dedo de um médico, mas sim para uma máquina. Máquina essa que nem sabe fazer um carinho ou, muito menos, sussurrar ao pé do ouvido.
Naquela manhã interminável, acordei cedo. Ou melhor, levantei da cama, porque, de tão tenso, não havia conseguido dormir direito. A noite fora longa, cheia de pesadelos e pensamentos sobre o que estava prestes a acontecer.
Eu era leigo no assunto, e o médico pouco me explicou. Disse apenas que seria algo parecido com o exame de endoscopia, só que "por trás". Também recomendou que eu fosse em jejum. Fiquei nervoso. Pensava que pudesse doer... ou, pior ainda, que eu pudesse gostar. Se doesse, como eu iria trabalhar sentado no meu táxi no dia seguinte? E se eu gostasse? Tantos homens adoram ser penetrados porque experimentaram uma vez... e gostaram.
"Será que vou virar gay?", pensava eu.
Para evitar qualquer constrangimento, tomei um banho caprichado. Com a buchinha que havia comprado na feira, esfreguei tudo. Usei até condicionador de cabelo e pasta de dentes, para não correr o risco de ter um "mau hálito anal". Até perfume passei, mas não sabia que ardia tanto... Vesti minha melhor cueca – ou pelo menos a que não tinha furos –, uma calça desbotada e uma camisa de malha justa, com os dizeres "Bad Boy", e fui à luta. Nessas horas, temos que demonstrar masculinidade, mesmo sabendo que, em breve, iriam me entubar pelo rabo.
Entrei no carro de um amigo taxista, que iria me levar aquele lugar "malditoso". Para minha surpresa, ele soltou uma gargalhada e perguntou:
— Tu vais fazer o exame pelo umbigo?
Não entendi a brincadeira, mas logo ele explicou:
— Cara, você tá de baby look!
Às vezes gosto de tomar umas cervejinhas, e minha barriga está um pouco saliente. A camisa apertada deixou meu umbigo completamente à mostra.
Cheguei à clínica mais nervoso ainda. Além de ser esculachado a viagem inteira, eu sabia o que me esperava no dia seguinte, no ponto de táxi. Conhecia o tamanho da língua do meu "amigo".
Uma atendente pediu que eu esperasse em um quarto. Mesmo dizendo que não precisava de companhia, meu amigo insistiu em ficar comigo.
Esperei por um longo tempo, com fome e sede, até que uma enfermeira apareceu:
— Coloca esse roupão aqui e fique sem nada por baixo. Depois, beba todo o líquido dessas três garrafas. Tem que tomar tudo, hein! Daqui a pouco volto para colocar o soro.
— Soro? Mas que soro? Ninguém me falou nada sobre soro!
O líquido era horrível, mas eu estava com sede, então beber foi fácil. O difícil foi o que veio depois.
Fui colocar o roupão e, para evitar mais constrangimento, saí do banheiro com a bunda encostada na parede, porque a parte de trás do roupão era completamente aberta. Meu "mui amigo" já estava pronto para tirar fotos de todos os ângulos. Além de linguarudo, o cara era um paparazzo amador.
Cada vez que eu ia ao banheiro, ia acompanhado de dois encostos: meu amigo, ansioso por um "furo de reportagem", e o pedestal do soro. Descobri, por outra enfermeira, que o exame seria só à tarde. Me mandaram chegar cedo apenas para a preparação.
Perguntei à Enfermeira como seria o procedimento:
--- Primeiro eles vão lhe aplicar uma anestesia. Na verdade não é anestesia, e sim, um "sossega leão".
— Sossega Leão? Mas que sossega leão é esse, minha senhora? O Médico não me falarou nada disso!
— Você vai dormir — disse ela.
O alívio inicial foi substituído por um novo medo. Afinal, já tinha ouvido histórias de pessoas que morreram sob efeito de anestesia, na qual, eu ainda achava que era.
Meu amigo se despediu dizendo que voltaria à tarde para me buscar. Fiquei aliviado. Pelo menos não precisaria mais me arrastar pelas paredes. Mas o vazio da solidão me trouxe outro pavor: e se eu morresse? Peguei o celular e comecei a mandar mensagens de despedida para a família e alguns amigos.
"Te amo", escrevi para todos.
O pior foi quando mandei mensagem para um amigo, agradecendo pela amizade e dizendo que ele não precisava mais pagar o que me devia. Ninguém entendeu nada...
Só não consegui me despedir da sogra porque, na hora de digitar, o médico entrou esbaforido no quarto.
— Quantas vezes você já foi ao banheiro? — perguntou.
— Doutor, eu não contei, mas acho que umas dez vezes.
— É pouco. Vou chamar a enfermeira.
Minutos depois, ouvi batidas na porta. Entrou uma enfermeira que eu ainda não conhecia. Linda, delicada. Segurava uma bisnaga misteriosa.
— Vira o bumbum... O senhor vai precisar de uma lavagem.
— O quê? Que lavagem? Não preciso de mais lavagem! Já lavei tudo muito bem, tanto aqui quanto em casa. Até condicionador, pasta de dentes e perfume eu passei!
— Não é por fora, meu senhor. É por dentro...
— Nem pensar! Quem mandou você fazer isso? Eu quero falar com o médico!
— Foi ele quem mandou, e agora está ocupado.
Fiquei arrasado. Além de me chamar de "senhor", ainda me enfiou aquele troço gelado sem me dar tempo de correr para o banheiro. Sujei a cama toda.
Por sorte, meu amigo não estava mais ali. Senão, teria mais um "furo de reportagem".
Depois desse episódio humilhante, quase vesti minhas roupas para ir embora. Mas aguentei firme. Concentrei-me, rezei e tentei me acalmar. Afinal, tem mulheres e até homens que lidam com coisas muito maiores a vida inteira e gostam!
De repente, entraram dois homens com uma maca.
— Vamos lá, chegou tua hora.
Já tão deprimido, achei que já estava morto. "Chegou minha hora de quê? De ser enterrado?"
— Pô, vocês não sabem bater na porta? E para que essa maca?
— São normas do hospital. O senhor tem que ir de maca...
— Não preciso ir de maca! E, por incrível que pareça, ainda estou vivo e andando! Além do mais, só vou fazer aquele exame... aquele que parece uma endoscopia... só que por baixo.
— Sim, mas acidentes acontecem. Seus intestinos podem ser perfurados.
— Aiii, meu Deus! Cadê o médico? Cadê meu amigo???
Tive que deitar na maca. Me levaram por corredores intermináveis. O anestesista fez algumas perguntas, aplicou uma injeção, e... apaguei.
Quando acordei, o médico estava ao meu lado.
— Tudo certo! O único problema foram os barulhos.
— Barulhos? Que barulhos, doutor?
— Rapaz, você ainda tinha gases lá dentro... e, nossa, como você ronca!
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
MISÉRIA, POESIA E TRISTEZA
ele não tinha saúde
terça-feira, 19 de novembro de 2013
CONFUSÃO NO ALTAR
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
O ENTERRO DO SEU MANOEL DA BIROSCA
O enterro do seu Manoel da Birosca iria ser na parte da tarde, mas o povo desde cedo encontrava-se em seu velório. Dona Maria Bigorna, sua esposa, era adepta de um bom prato e não ficava sem uma birita. Logo que seu marido faleceu ela encomendou bastantes bebidas e salgados, e malandramente, divulgou para seus fregueses. Os “amigos” e frequentadores da birosca do senhor Manoel, sabendo disso, lotaram o velório daquele bondoso senhor. Estavam muito empolgados, afinal, nunca tinham visto um enterro tão festivo e regado a comes e bebes. Porém estavam “preocupados” pela demora da, senhora Bigorna. Então, seu Alair do Pé Inchado, comentou com seus amigos:
- Cadê dona Bigorna que não aparece, hein? Tô cheio de sede e ela está demorando muito...Onde será que ela se enfiou?
- Do jeito que ela bebe, esse velório vai ser uma festa. – Falou Biricutico empolgado.
- É, amigos eu já fui lá no bar tomar uma e fiquei duro, tive de pagar a vista. Que falta o seu Manoel faz, não é mesmo pessoal? Com ele a gente pendurava. – Disse seu José Du Calote.
Na realidade ninguém pagava nada ao seu Manoel, o enrolavam sempre. Dona Bigorna sabia e se estressava muito com eles por causa daquilo. Depois que a metade da clientela encontrava-se de porre e a outra ainda estava nos bares dos arredores, chegou Dona Maria Bigorna, chorosa, mas com os salgados e as bebidas que prometera... Estava acompanhada dos seus cinco filhos: Pedrão do Bope; Paulão Senta a Pua; Marcão Tijolada; Ricardão Capoeira e Serginho Mengão, da “torcida raça rubro negra”. De repente o velório lotou, parecia que tinham vindo pelo cheiro dos salgados e das bebidas... Conversa vai, conversa vem, João Deprê ao ver os filhos do seu Manoel, comentou com os amigos:
- Eu estou com um mau pressentimento, não devia ter voltado lá do bar.
- Está maluco? Você iria perder esse tremendo velório? Relaxa e toma mais um copo, pelo menos aqui é de graça... E a nossa dívida com Seu Manoel também acabou, ele morreu... Vamos comemorar, minha gente! – disse Enfadonho Talagada.
- Fala baixo... Nós não estamos comemorando nada. Você já está bêbado? Viu o tamanho dos filhos dele? – falou Deprê.
- Vi, sim, e daí? Vai dizer que também não posso dizer que sou Vascaíno? Vascooo, Vascooo, Vascooo... – respondeu Talagada.
Todos rapidamente saíram de perto de Talagada, porque sabiam da fama dos filhos Flamenguistas do Seu Manoel.
Mais tarde, após estarem todos de barriga cheia e de ter rolado muita bagunça, inclusive, quase derrubaram o caixão, os filhos de Dona Maria Bigorna amontoaram-se na porta e não deixaram que mais ninguém saísse. Seu João Deprê ainda tentou escapar e disse que queria ir ao banheiro, mas Ricardão Capoeira não deixou... Alegou que a oração já iria começar e queria que todos ficassem, porque sua mãe faria uma homenagem a seu pai. Então, Anastácio Dupó Traçado da silva, perguntou ao Deprê:
- O que houve, você está com cara de preocupado?
- Ai, meu Deus do céu... Vai acontecer alguma coisa de ruim e eu estou apertado para ir ao banheiro. Eu devia tão pouco ao Seu Manoel... Só uns mil reais.
- Por que você está falando isso? A dívida agora acabou... Olha, parece que Dona Bigorna vai começar com a homenagem.
Dona Maria Bigorna, após pedir a palavra, pegou na bolsa um caderno com uma lista imensa de fiados e declamou:
- Tenho a certeza de que o meu Marido faleceu por causa disso aqui...
Seu José Du Calote jogou-se pela janela que era no quinto andar, caiu em cima do roseiral... Se furou e se quebrou todo, mas conseguiu escapar. Todos juntos começaram a rezar, uns até a chorar, mas ela firme continuou:
- Manoel se vivo fosse iria gostar de ver o que vai acontecer agora...
Seu Deprê teve um ataque de histeria, mas ela não ligou.
- Nesse caderno consta o nome de pessoas que diziam ser nossos amigos, principalmente do Manoel...
Enfadonho Talagada, Biricuticu e mais umas dez pessoas tiveram um mal súbito. Anastácio Dupó que encontrava-se ao fundo, mesmo sendo procurado da justiça, preferiu pegar o celular e ligar para polícia. Falando baixinho, disse que iria se entregar, mas que viessem logo.
E Dona Maria continuou:
- Pessoas que só vieram aqui, por interesse na bebida e na comida, onde, não vi uma lágrima se quer...
- Olha meus olhos, Dona Bigorna, vermelhos de tanto chorar. Por sinal, esse enterro sai ou não sai? – perguntou seu Ataláio Jurubêbo
- Seus olhos estão vermelhos por causa da cachaça, seu Ataláio. O Senhor está chorando agora, não sei porque motivo...
Nesse chove e não molha, nessa lengalenga, Dupó, olhou pela janela e gritou:
- A Polícia vem aí!!!
Os filhos de Dona Maria sumiram, foi um corre-corre generalizado, gente rolando pela escada, gente se escondendo atrás do caixão e o Anastácio Dupó indo em cana.
Mas tarde, após o enterro, um coveiro comentou com o outro:
- Eu nunca vi um enterro tão vazio, só tinha a viúva. Esse cara devia ser muito ruim.
- Eu não entendi, o velório estava cheio de gente, mas ninguém quis assistir ao enterro. A viúva ficava o tempo todo falando ao Marido que fez as suas vontades... Deu uma festa em seu velório, não brigaria mais com seus amigos e nem iria mais cobrá-los as dívidas. Ela também falou que não entendeu o motivo do tumulto, porque só queria dizer-lhes umas verdades. E que não sabe porque os filhos também sumiram.
A FARMÁCIA/BOTECO DO SEU JOAQUIM
A Farmácia-Boteco do Seu Joaquim
O boteco do Seu Joaquim era um verdadeiro "centro de soluções". Tinha de tudo, desde farinha até melado. Mas o forte mesmo era a "farmácia" de bebidas.
— Seu Joaquim, estou com uma diarreia que está um horror!
— Tome uma genebra, meu bom senhor.
— Seu Joaquim, por favor, tem aquele remédio pra resfriado?
— É comigo mesmo! Vou fazer um coquetel e logo você estará curado.
— Seu Joaquim, eu queria aquele remedinho pra dor de cabeça...
— Amigo, não enlouqueça! Agora tenho um à base de ervas... O nome é "paratudo". É só acrescentar uma cachacinha que sua cabecinha nunca mais vai doer.
No balcão do Seu Joaquim, cada problema tinha uma solução "medicinal":
Licor de menta para rouquidão.
Licor de mel para expectorar.
Jurubeba para o fígado.
E um cardápio inteiro de milagres alcoólicos.
Até que, certa noite, um freguês entrou aflito.
— Seu Joaquim, preciso falar com o senhor a sós!
— Pois não, amigo. Está com algum problema?
— Sim... Eu... Pifei.
— Pifou? Como assim? Desmaiou? Ah, mas eu tenho um remé...
— NÃO! Não é isso! Pifei... na cama, com minha amada.
— Ahhh! Mas por que não disse logo, homem?! Tome uma catuaba!
A fama dos "remédios" do Seu Joaquim crescia tanto que sua esposa, Dona Carmelita, já estava preocupada.
— Joaquim, já falei pra você parar com isso! Um dia, vai ter problema. Você não é médico!
— Problema? Que nada, mulher! Eu só dou a eles o que mais querem: bebida!
Nesse instante, um freguês interrompeu.
— Desculpe atrapalhar o papo, mas estou enjoado e com uma ressaca sem fim. Acho que vou tomar uma água tônica...
— Água tônica?! Tá maluco?! Não sabe que pra curar ressaca tem que tomar outra pra rebater? Vou abrir uma cervejinha pro senhor!
Mas, um dia, a "farmácia-boteco" do Seu Joaquim não abriu. Os fregueses, sem opção, foram ao bar do concorrente.
— O boteco do Seu Joaquim não abriu hoje... O que será que aconteceu?
— Ouvi dizer que ele passou mal e foi ao médico.
— Logo hoje que minha pressão caiu! Precisava tanto de um remedinho daqueles...
O dono do outro bar aproveitou pra alfinetar.
— Vocês não enxergam que esse cara é um charlatão? Se ele passou mal, por que não tomou dos próprios remédios?
— Verdade! Outro dia ele me receitou catuaba, dizendo que minha esposa ia ficar encantada... Me deu foi uma dor de barriga danada!
— Ah, ele me paga!
Na manhã seguinte, antes de Seu Joaquim abrir o boteco, os fregueses já estavam todos esperando na porta. Dona Carmelita espiou pelo basculante e estranhou.
— Joaquim, tô achando esquisito... Tem um bando de gente esperando. Nunca aconteceu isso.
— Mulher, esqueceu que não abrimos ontem? Estão todos sedentos!
Quando abriu a porta, os fregueses entraram em silêncio, encarando Seu Joaquim.
— Seu Joaquim, por que não abriu ontem?
— Passei mal, homem!
— E por que não tomou um dos seus remédios?
— Ué, já falei, passei mal!
— Mas o senhor sempre diz que suas bebidas curam tudo…
— Eu... é... Bom...eu não bebo.
— O senhor não bebe, né?
O silêncio tomou conta do boteco. Um dos fregueses estalou os dedos.
— Pessoal... Vamos dar um jeito nisso!
Antes que Seu Joaquim pudesse reagir, enfiaram-lhe pela goela todos os tipos de "remédios" que ele vendia. Licor de menta, jurubeba, catuaba... Tudo misturado!
Uma semana depois, o bar do concorrente estava lotado. Curioso, o dono perguntou a um freguês:
— Depois daquele dia, o Seu Joaquim nunca mais abriu o boteco. O que vocês fizeram com ele?
O homem deu de ombros.
— Ah, ele deve estar até hoje de ressaca.
— Mas ele não bebe!
— Pois é... Agora, nem remédio líquido ele aceita. Dizem que vomitou quando Dona Carmelita tentou dar um xarope pra tosse.
O dono do bar riu.
— Bem feito! Agora sim ele sabe o efeito dos próprios "remédios"!
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
UM TAXISTA SENSÍVEL
Um Taxista Sensível
Na cidade de Cacha Pregos, havia um taxista que era um verdadeiro doce de pessoa. As mulheres adoravam andar em seu táxi e o idolatravam. Seu nome? Jacinto Leite Aquino Rêgo.
— Gostei de andar no seu táxi! Você pode sempre "me pegar, Aquino Rêgo". Pode ser todos os dias, nesse mesmo horário? — disse uma passageira, em tom de brincadeira, logo após se encantar com ele.
— Olha... Não gosto muito dessas brincadeiras. Mas, se quiser, te pego em casa todos os dias, combinado?
— Que brincadeira? Só porque chamei você pelo sobrenome e disse para me pegar? Quando eu digo "vem me pegar, Aquino Rêgo", é pra você vir me buscar com o táxi, ué...
Já os homens não gostavam tanto dele assim. Quando viam aquele carro cor-de-rosa com o bigorrilho aceso, disfarçavam, não faziam sinal e nem ligavam pedindo corrida.
Apesar disso, Jacinto Leite Aquino Rêgo não se incomodava. Na verdade, gostava mesmo era de fazer com eles o que seu próprio nome sugeria.
Mas quem realmente lhe dava lucro era a mulherada.
— "Jacinto Leite, gostosinho!" — brincava uma passageira.
— Não fala isso, você sabe que não gosto! Minha praia é outra...
— Quanto tempo que você não me "pega, Aquino Rêgo". Estava com saudades! — dizia outra, rindo.
— Para com isso, querida! Não gosto dessas brincadeiras...
As mulheres sabiam de sua preferência, mas adoravam tirar sarro. Até que um dia, um turista desavisado fez sinal para o seu táxi.
— Poxa... Quanto tempo não pego um bofe. Vou parar!
O homem entrou e cumprimentou:
— Boa noite!
— Boa noite, amor! Jacinto Leite Aquino Rêgo ao seu dispor.
— Como é? Não entendi!
— Falei meu nome todo porque gostei de você,
— Gostou de mim? E que história é essa de "leite aqui no rego? Não sou disso, não.
— o passageiro já estava confuso.
— Olha, meu amor, eu falei meu nome, porém tô achando que você gostou e quer fazer outra coisa comigo! E eu aceito, viu? Faça o que quiser de mim! Vem cá, meu gostosão... Me dá um beijo, meu "gatão"...
— O quê?! Você tá preso!
— Isso, meu amor! Me prende, me leva pra sua casa, me amarra na sua cama e me dá uns tapinhas! Adoro isso...
O que Jacinto não sabia era que o "turista desavisado", na verdade, era o novo delegado da cidade.
O taxista sumiu por alguns dias, deixando suas passageiras na mão. Quando reapareceu, estava com o nariz quebrado e um olho roxo.
— O que foi isso, Jacintinho? Foi aquela brincadeira do tapinha que você tanto gosta de fazer com seus namorados? — perguntou uma passageira, preocupada.
— Mulher... Nem te conto! Quando levei o primeiro safanão, até gostei. Pensei que ele também gostasse de levar uns tapinhas. Então, enchi a mão e dei um tapa no bumbum dele... Mas depois...
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
AMÂNCIO E A PACIÊNCIA QUE SE ESGOTOU
Amâncio e a Paciência que se Esgotou
Amâncio era um cara muito na dele, sem maldade ou inimizades. Um sujeito bacana.
Certo dia, andando pela rua, um homem esbarrou nele, derrubando sua pasta. Os documentos voaram para todos os lados. O mais incrível era que, mesmo numa situação dessas, Amâncio ainda se desculpava, achando que a culpa era dele.
Seus amigos o faziam de gato e sapato. Pediam dinheiro emprestado e nunca pagavam. Pegavam seu carro e demoravam para devolver—isso quando não o devolviam amassado. Até com sua esposa mexiam. Amâncio, sempre generoso, adorava fazer favores sem esperar nada em troca. E quando falavam sobre sua mulher, ele simplesmente dizia:
— Eu não me incomodo quando a elogiam e dizem que ela é bonita ou gostosa. Pior seria se dissessem que ela é feia.
Mas havia um boato maldoso: diziam que Amâncio apanhava da esposa. Era um homem forte, com corpo atlético, mas aparecia vez ou outra com algumas lesões. Alegava que eram do futebol, mas ninguém acreditava. Riam dele, provocavam:
— O Amâncio apanha da mulher... Quem apanha de mulher é mariquinha!
Ele não gostava de ouvir isso, mas mantinha a classe e fingia não escutar. Era forte, mas também tinha um autocontrole invejável. Não se deixava levar por provocações.
Amava sua esposa e era um marido atencioso. Tudo que ela pedia, ele fazia. Era o companheiro ideal.
Pena que, por ser tão bom, muitos abusavam da sua boa vontade.
— Estou cansado dessa vida de ser bonzinho. Todo mundo passa a perna em mim — desabafou Amâncio com um amigo.
— Meu camarada, você precisa parar de ser fornecedor e virar consumidor — disse o amigo.
— Como assim?
— Quero dizer que você só fornece. Seus amigos te exploram... E até sua mulher você está fornecendo, Amâncio.
— O quê?! Que história é essa? Você está maluco? — respondeu ele, indignado.
— Se liga, meu amigo... Vai consumir outras mulheres por aí também — provocou Clarisbadeu.
Amâncio voltou para casa desapontado. Nunca havia considerado essa possibilidade. Mas agora não conseguia tirar aquelas palavras da cabeça.
Passou a observar melhor sua esposa, acompanhando seus passos. E então descobriu a verdade.
Estava sendo traído. E com um de seus próprios amigos. O Ricardão. O mesmo que mais o ridicularizava, espalhando para todos que ele apanhava da mulher.
— Agora faz sentido... Ela deve comentar com ele sobre as brigas, e esse safado espalha para todo mundo.
Mas Amâncio manteve sua calma habitual. Esperou o momento certo.
No clube, encontrou a roda de amigos, e Ricardão estava no meio. Como de costume, o traidor foi o primeiro a zombar:
— Olha aí quem chegou! O maricão que apanha da mulher!
Todos riram.
Amâncio engoliu em seco e, com sua tranquilidade característica, disse:
— Preciso confessar uma coisa para vocês... De vez em quando, ela me dá uns catiripapos, sim.
A gargalhada foi geral. Alguns chegaram a cair no chão de tanto rir. Ricardão, triunfante, repetia:
— Eu não falei? Eu não falei?!
Amâncio se aproximou dele, falando cada vez mais baixo:
— E não é só isso... Eu fui muito judiado e traído.
As risadas continuavam.
— Ricardão, cuidado, ele vai te beijar! — alguém gritou.
Mas Amâncio ainda não tinha terminado:
— Como eu estava dizendo... Ela me trai com um de vocês. E ainda me bate muito. Mas se eu tivesse feito com ela o que vou fazer com vocês, ela não estaria mais nesse mundo.
O silêncio foi instantâneo. Todos se entreolharam. O clima ficou pesado.
Até que Ricardão, pálido, soltou um grito:
— Sujou! Aiiii... Socorro!
Foi tarde demais. Amâncio descontou tudo ali, na frente de todos. Ricardão levou uma surra tão grande que foi parar no hospital.
Curiosamente, seus amigos ainda não foram visitá-lo. Estão todos... desaparecidos.
ASTOLFO PULOU A CERCA
Todos estavam à procura de Astolfo. Olharam dentro e fora da casa, mas nada do cachorro.
— Eu vi ele olhando muito pra casa do vizinho ao lado — disse Marieta, a nova empregada de Gertrudes.
— O seu Inocêncio? — perguntou Gertrudes.
— Não sei... ainda não conheço os vizinhos.
Os três seguiram até a casa do vizinho, e Aristeu tomou a frente:
— Boa tarde, seu Inocêncio... O senhor viu o Astolfo por aí?
— Vi! — respondeu o homem, visivelmente irritado. — Ele tomou um banho e agora tá fazendo um lanchinho antes de ir embora.
Gertrudes franziu a testa.
— Como assim?
— Vou explicar... Esse seu cachorro pulou a cerca novamente e está atracado com a Lucrécia no quintal! Minha cadela é de raça pura, dona Gertrudes! Se nascer filhote vira-lata, vão todos pra sua casa, ouviu bem?!
Gertrudes deu uma gargalhada.
— Seu Inocêncio, quem tem suas cabras que as prendam, porque meu bode tá solto!
O vizinho ficou vermelho e disse!
--- Você está Maluca?!
— Eu vou é matar esse vira-lata!
— Aristeu, você não vai tomar nenhuma atitude?
— Mas, mas...
— Que “mas, mas” o quê, Aristeu! O homem me chamou de maluca!
— É que...
— Cala a boca, Aristeu! Eu é que vou quebrar a cara desse cretino!
— Me larga, Aristeu!
— Mas eu não tô te segurando...
— Então vai você e quebra a cara dele!
— Mas, mas...
Inocêncio cruzou os braços e debochou:
— Podem vir todos! São três frouxos!
Foi a gota d’água para Marieta (a empregada), que virou bicho.
— O quê?! Frouxo é tua mãe, seu safado!
E partiu pra cima do homem, dando unhadas e puxando seus cabelos. Aristeu tentou apartar a briga, mas logo levou um soco no olho. Quanto mais Inocêncio tentava se livrar da empregada, mais batia em Aristeu. O coitado só apanhava. Só foi salvo quando os vizinhos intervieram.
— Mas, mas... foi ela quem começou! Eu não fiz nada, seu Inocêncio! — dizia Aristeu, nervoso.
O vizinho se ajeitou e resmungou:
— Não sou covarde, não bato em mulher.
— Ai, ai, ai... Cadê a Gertrudes?
— Não sei, patrão. A última vez que a vi, foi quando ele me chamou de frouxa.
Voltaram para casa. Aristeu, todo quebrado; Marieta, furiosa.
— Meu primeiro dia de trabalho e já me acontece isso! — resmungou a empregada.
— Gertrudes, eu vou morrer! Chama um médico! — gemia Aristeu.
— Deixe de ser dengoso, não foi nada!
--- respondeu Gertrudes, sem paciência.
Então, Marieta arregalou os olhos.
— O Astolfo! Ele ficou lá! Aquele doido vai matar o bichinho!
Gertrudes cruzou os braços e, com um sorriso cínico, disse:
— Astolfo já está em casa desde a hora que cheguei. Quando viu que o homem estava bravo, pulou a cerca de volta. Ele é igualzinho a mim: não gosta de confusão.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
A MAMÃE É BISCATEIRA - Humor
QUANDO A MORTE VALE A PENA
Quando a Morte Vale a Pena
Aristeu acabara de receber a pior notícia de sua vida. O médico pedira que ele levasse um familiar ao consultório, mas, teimoso como era, insistiu para saber o motivo ali mesmo.
O doutor suspirou e explicou:
— Eu pedi para trazer um parente porque o tratamento pode ser pesado. Alguns pacientes sentem enjoo, tontura... A família precisa estar ciente das limitações.
Saiu do consultório arrasado. Estava com câncer e, pelo que entendeu, tinha apenas seis meses de vida.
Entrou no carro e chorou. Chorou muito. Ficou ali, pensando em como seriam seus últimos meses.
Quando chegou em casa, passou direto pela esposa, cabeça baixa, e se trancou no quarto. Gertrudes estranhou. Ele sempre a beijava ao chegar. Preocupada, foi atrás dele.
— Meu amor, o que houve? Você passou e nem me olhou.
— Nada, mulher. Me deixa em paz.
Chateada, ela não insistiu.
Dias depois, Aristeu estava mais conformado. Conversou com seu amigo Dudu, o único a saber da doença.
— Aproveita a vida, meu amigo — aconselhou Dudu. — Faz tudo que sempre quis fazer. O resto... deixa nas mãos de Deus.
— É... tem razão. Mas também preciso pensar na minha família. Quando eu morrer, vão passar aperto.
De cara, fez um seguro de vida. Depois, pegou o maior empréstimo que conseguiu no banco. Chegou em casa, pegou a esposa e o cartão de crédito, e a levou para uma loja de eletrodomésticos.
— Compra tudo o que precisar!
Gertrudes quase desmaiou de felicidade.
— Mas o que houve, meu amor? Você ganhou na loteria? Sempre foi pão-duro e agora tá esbanjando desse jeito?
Ele sorriu.
— Foi quase isso... Recebi um dinheiro inesperado no trabalho. E também ganhei no bicho.
"Defunto não tem dívida mesmo..." — pensava ele.
Mas Aristeu não queria só ajudar a família. Também queria aproveitar. Começou a chegar tarde, beber sem limites e aprontar.
— Dudu, bora naquele inferninho lá do centro? Tô a fim de pegar umas minas.
— Cara, tá pegando pesado, hein. Você está bem? Tem tomado os remédios direitinho?
— Pra quê? Se vou morrer mesmo, que pelo menos eu seja feliz!
Dudu deu de ombros.
— Bem... já que é assim, vamos pra night!
Ainda naquela noite, após Aristeu sair do quarto do "Inferninho" com duas mulheres, Dudu o puxou pelo braço e perguntou:
— Aristeu, me diz uma coisa: você usou camisinha?
— Pra quê? Vou morrer mesmo! — E soltou uma gargalhada.
— E sua esposa, seu estúpido?!
Aristeu mudou de assunto rapidamente:
— Preciso arrumar dinheiro. Quer ir comigo?
— Ué, arrumou trabalho noturno?
— Quase... Um trabalhinho especial.
Dudu estreitou os olhos.
— Aristeu... Que volume é esse na tua cintura?
— Deixa pra lá, amigo.
Dudu preferiu não acompanhar. Estava sentindo que aquilo não ia acabar bem.
O Novo "Emprego"
Aristeu conheceu um dono de ferro-velho que pagava bem por carros roubados.
— Vou garantir um bom dinheiro pra minha família. Depois posso morrer em paz!
Mas a vida do crime não era bem sua praia. Na primeira tentativa, disparou o alarme do carro e teve que correr.
— Pega ladrão! Pega ladrão! — gritava o dono do veículo.
Na segunda, tentou roubar um carro automático e não conseguiu nem sair do lugar.
— Quem foi o infeliz que inventou esse tipo de carro?!
Na terceira, quase morreu de verdade: levou um tiro de raspão na orelha.
— Putz, por pouco não bati as botas antes do prazo!
As dores aumentaram. Voltou ao médico, que lhe deu uma bronca monumental.
— O senhor abandonou o tratamento?! Tá louco?!
Após uma nova bateria de exames, o médico o chamou ao consultório.
— Sr. Aristeu, sente-se. Quem lhe falou que seu tumor era maligno?
— O senhor! E disse que eu só tinha seis meses de vida!
O médico arregalou os olhos.
— Não, Aristeu! Seu tumor é benigno! Eu disse que você teria seis meses de tratamento!
Aristeu empalideceu.
— O quê?! Então eu não vou morrer?!
— Não... Mas agora vai precisar de mais seis meses de tratamento, porque seu quadro piorou.
A boca de Aristeu ficou seca.
— Doutor... O senhor não explicou direito. Fiz seguro de vida, estou atolado em dívidas, virei ladrão, quase morri com um tiro e... posso estar aidético! Passei doença pra minha patroa! E agora a polícia deve estar atrás de mim!
O médico coçou a cabeça.
— Ihhh, acho que a doença afetou sua mente... Vou encaminhá-lo a um psiquiatra.
Foi a gota d’água. Aristeu voou no doutor, para lhe dar uns tabefes, porém acabou no hospital todo quebrado. O Médico era lutador de Artes Marciais.
Mais tarde...
Gertrudes, por sua vez, acabou descobrindo toda a verdade, comunicou o sistema penal que além dos remédios para o trauma, ele tinha que tomar também os remédios, na qual, resultou em todos esses problemas. Aristeu virou um paciente exemplar... no hospital penitenciário.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
ENTERRANDO O DEFUNTO ERRADO.
Enterrando o Defunto Errado
Aristeu e Gertrudes se arrumavam para ir ao enterro de um amigo. Aristeu, com sua lerdeza habitual, ainda estava no banheiro fazendo a barba quando Gertrudes apareceu impaciente.
— Anda logo, homem! Já estamos atrasados!
— Calma... Ai! — Ele se cortou com a lâmina. — Viu o que você fez? Me assustou!
— Deixa de ser mole. Já estou pronta faz mais de uma hora, e você nem banho tomou!
— Você fala demais e me atrapalha... Comigo tem que ser tudo devagar, gosto de fazer as coisas direito.
Duas horas depois, finalmente saíram de casa.
— Vê se acelera esse carro, já estamos muito atrasados!
— Filha, automóvel é comigo mesmo. Deixa comigo.
— É, né? Da última vez que você saiu apressado, arranhou a lateral do carro na garagem!
No caminho, caíram num buraco e estouraram um pneu. Depois, Aristeu avançou um sinal e levou uma multa. Quando finalmente chegaram ao cemitério, Gertrudes já estava bufando.
— Nunca mais! Da próxima vez, venho de táxi!
— Tá reclamando de quê? Tenho culpa se o pneu furou e o guarda me parou?
— Claro que tem! O pneu estourou porque você mirou no buraco! E o guarda te parou porque avançou o sinal de novo! Esse mês seu salário vai todo em multas!
— E você que falou o nome do cemitério errado? Fomos parar do outro lado da cidade!
Ao entrarem na capela, benzeram-se e foram cumprimentar os parentes, demonstrando seus profundos sentimentos. O caixão estava fechado porque o corpo já estava cheirando mal.
— Viu, Gertrudes? Você me apressa tanto e nem sinal de enterro!
— Não sei... Tá estranho. Não vejo ninguém conhecido.
— Vai ver a esposa dele passou mal e a família saiu pra socorrê-la...
Nesse momento, um grupo de evangélicos chegou e começou uma oração. Aristeu e Gertrudes rezaram fervorosamente pela alma do falecido.
Quando chegou o momento do enterro, havia poucos homens para carregar o caixão, e Aristeu, prestativo, segurou uma das alças.
— Se é pra dar o último adeus ao meu amigo, eu faço questão de ajudar.
Gertrudes, com dores nos pés, preferiu não acompanhar e ficou esperando perto da capela. Aristeu, emocionado, seguiu até a cova, que ficava quase no final do cemitério.
Quando voltou, os olhos vermelhos de tanto chorar, encontrou Gertrudes de braços cruzados e cara fechada.
— Que foi agora, mulher?
Ela bufou.
— O que foi?! Com essa tua lerdeza, simplesmente: velaste, rezaste, enterraste e ainda carregaste o caixão do defunto errado! Teu amigo já foi enterrado há horas!
Aristeu arregalou os olhos.
— O quê?!
Gertrudes pegou a bolsa e saiu pisando duro.
— Se vira, porque eu vou embora de táxi! E, se for pra casa, dorme no sofá!
Aristeu ficou parado, tentando entender o que tinha acontecido.
— Mas... Mas... Ah, que droga!
E saiu correndo atrás de Gertrudes.
SE NÃO TOMAR O AZULZINHO, NÃO TEM BRINCADEIRA.
SENÃO TOMAR O AZULZINHO NÃO TEM BRINCADEIRA
ARISTEU CORROMPEU O GARÇOM
Aristeu Corrompeu o Garçom
Era uma noite de sábado, e Aristeu e Gertrudes estavam se arrumando para uma festa.
— Gertrudes, cadê minhas meias?
— Estão em cima da cama.
— E meu cinto?
— No mesmo lugar de sempre, pendurado ao lado das suas calças.
— E meu perfume?
— Se for aquele que você comprou no mercado, usei no Astolfo. Era horrível.
Aristeu arregalou os olhos.
— Você usou meu perfume no cachorro?!
— E fez bem. Ele ficou cheiroso.
Aristeu começou a experimentar as calças, uma por uma.
— Gertrudes, nenhuma calça cabe mais em mim!
— Já falei pra fazer dieta. Você não para de comer!
— E você não para de fumar, mas eu não fico falando disso toda hora!
Gertrudes revirou os olhos.
— Tá bom, então vai de bermuda. Aquela que mamãe te deu. Deve ser a única que ainda cabe.
— Eu gosto da sua mãe, mas precisava me dar uma bermuda desse tamanho? Assim ela tá me chamando de gordo!
— Vai assim mesmo, já viu a hora?
E lá foram eles para a festa. Gertrudes, arrumada e cheirosa. Aristeu, de sapato social preto, meia preta e uma bermuda larga e comprida, que passava do joelho.
— Pelo menos tem uma vantagem — disse ele, ajeitando os bolsos. — Dá pra trazer um monte de docinhos.
— Só não vai me fazer vexame, hein!
No ônibus, Aristeu ficou entalado na roleta e armou um barraco. Disse que as roletas eram apertadas demais e que ninguém respeitava os passageiros.
— Comigo acontece de tudo. Só falta agora chegar lá e não ter comida nem bebida!
Já no salão, Aristeu escolheu um lugar estratégico.
— Aqui tá mais fresco, tem uma brisa boa.
— Sei... Você escolheu aqui porque tá perto da cozinha. Eu te conheço, meu bujãozinho!
— Que nada, mulher... Escuta, me empresta um trocado aí.
— Pra quê? Festa tem comida e bebida de graça.
— Vai que não tem, né? Melhor garantir. Se der, aproveito e compro teu cigarro.
Gertrudes estreitou os olhos.
— Sei não, hein...
Na verdade, Aristeu queria o dinheiro para corromper o garçom e garantir que os salgadinhos chegassem primeiro até eles.
A festa estava animada. Eles conversaram com amigos, beberam e comeram bem. O garçom passava a todo instante, servindo Aristeu com dedicação.
— E você preocupado à toa... Que festa boa! Tô satisfeita, não aguento mais comer. Só não entendo por que minhas amigas estavam reclamando, dizendo que não comeram direito.
Aristeu sorriu de canto.
— É, mulher... Elas não têm o Aristeu.
Gertrudes franziu a testa.
— O que isso tem a ver com elas não terem comido direito?
— Deixa pra lá...
Ela observou o garçom, que passava de novo com uma bandeja cheia.
— Sabe de uma coisa? Acho que esse garçom é gay. Toda vez que passa, ele pisca pra você. Por isso não sai daqui. Gostou de você! Vai dizer que não notou?
Aristeu se ajeitou na cadeira, desconcertado.
— Gertrudes, esquece isso... Para com isso.
A INAUGURAÇÃO DO FORNO DE MICROONDAS
#A INAUGURAÇÃO DO FORNO DE MICROONDAS#
A PERMUTA INFUNDADA
Em uma cidadezinha do interior havia um Caboclo que tinha uma esposa muito bonita. Parecia uma índia, morena de cabelos longos. Aquele homem não dava muito valor para aquela linda mulher e comentava com seus amigos:
O PREFEITO CORNO MANSO
O HOMEM DO BILAU PEQUENO
Em uma cidade bem pequena, onde todos se conheciam, havia um homem chamado Alfreudson Didático Morfico Urubulino da Silva. Esse homem tinha um grande nome, mas um bilau muito pequeno. Alfreudson tinha também um grande trauma, por onde passava o povo comentava:










