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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ARISTEU CORROMPEU O GARÇOM

Aristeu Corrompeu o Garçom

Era uma noite de sábado, e Aristeu e Gertrudes estavam se arrumando para uma festa.

— Gertrudes, cadê minhas meias?

— Estão em cima da cama.

— E meu cinto?

— No mesmo lugar de sempre, pendurado ao lado das suas calças.

— E meu perfume?

— Se for aquele que você comprou no mercado, usei no Astolfo. Era horrível.

Aristeu arregalou os olhos.

— Você usou meu perfume no cachorro?!

— E fez bem. Ele ficou cheiroso.

Aristeu começou a experimentar as calças, uma por uma.

— Gertrudes, nenhuma calça cabe mais em mim!

— Já falei pra fazer dieta. Você não para de comer!

— E você não para de fumar, mas eu não fico falando disso toda hora!

Gertrudes revirou os olhos.

— Tá bom, então vai de bermuda. Aquela que mamãe te deu. Deve ser a única que ainda cabe.

— Eu gosto da sua mãe, mas precisava me dar uma bermuda desse tamanho? Assim ela tá me chamando de gordo!

— Vai assim mesmo, já viu a hora?

E lá foram eles para a festa. Gertrudes, arrumada e cheirosa. Aristeu, de sapato social preto, meia preta e uma bermuda larga e comprida, que passava do joelho.

— Pelo menos tem uma vantagem — disse ele, ajeitando os bolsos. — Dá pra trazer um monte de docinhos.

— Só não vai me fazer vexame, hein!

No ônibus, Aristeu ficou entalado na roleta e armou um barraco. Disse que as roletas eram apertadas demais e que ninguém respeitava os passageiros.

— Comigo acontece de tudo. Só falta agora chegar lá e não ter comida nem bebida!

Já no salão, Aristeu escolheu um lugar estratégico.

— Aqui tá mais fresco, tem uma brisa boa.

— Sei... Você escolheu aqui porque tá perto da cozinha. Eu te conheço, meu bujãozinho!

— Que nada, mulher... Escuta, me empresta um trocado aí.

— Pra quê? Festa tem comida e bebida de graça.

— Vai que não tem, né? Melhor garantir. Se der, aproveito e compro teu cigarro.

Gertrudes estreitou os olhos.

— Sei não, hein...

Na verdade, Aristeu queria o dinheiro para corromper o garçom e garantir que os salgadinhos chegassem primeiro até eles.

A festa estava animada. Eles conversaram com amigos, beberam e comeram bem. O garçom passava a todo instante, servindo Aristeu com dedicação.

— E você preocupado à toa... Que festa boa! Tô satisfeita, não aguento mais comer. Só não entendo por que minhas amigas estavam reclamando, dizendo que não comeram direito.

Aristeu sorriu de canto.

— É, mulher... Elas não têm o Aristeu.

Gertrudes franziu a testa.

— O que isso tem a ver com elas não terem comido direito?

— Deixa pra lá...

Ela observou o garçom, que passava de novo com uma bandeja cheia.

— Sabe de uma coisa? Acho que esse garçom é gay. Toda vez que passa, ele pisca pra você. Por isso não sai daqui. Gostou de você! Vai dizer que não notou?

Aristeu se ajeitou na cadeira, desconcertado.

— Gertrudes, esquece isso... Para com isso.


Fim

ALEXANDRE M. BRITO 


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