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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

UM TAXISTA SENSÍVEL


Um Taxista Sensível

Na cidade de Cacha Pregos, havia um taxista que era um verdadeiro doce de pessoa. As mulheres adoravam andar em seu táxi e o idolatravam. Seu nome? Jacinto Leite Aquino Rêgo.

— Gostei de andar no seu táxi! Você pode sempre "me pegar, Aquino Rêgo". Pode ser todos os dias, nesse mesmo horário? — disse uma passageira, em tom de brincadeira, logo após se encantar com ele.

— Olha... Não gosto muito dessas brincadeiras. Mas, se quiser, te pego em casa todos os dias, combinado?

— Que brincadeira? Só porque chamei você pelo sobrenome e disse para me pegar? Quando eu digo "vem me pegar, Aquino Rêgo", é pra você vir me buscar com o táxi, ué...

Já os homens não gostavam tanto dele assim. Quando viam aquele carro cor-de-rosa com o bigorrilho aceso, disfarçavam, não faziam sinal e nem ligavam pedindo corrida.

Apesar disso, Jacinto Leite Aquino Rêgo não se incomodava. Na verdade, gostava mesmo era de fazer com eles o que seu próprio nome sugeria.

Mas quem realmente lhe dava lucro era a mulherada.

— "Jacinto Leite, gostosinho!" — brincava uma passageira.

— Não fala isso, você sabe que não gosto! Minha praia é outra...

— Quanto tempo que você não me "pega, Aquino Rêgo". Estava com saudades! — dizia outra, rindo.

— Para com isso, querida! Não gosto dessas brincadeiras...

As mulheres sabiam de sua preferência, mas adoravam tirar sarro. Até que um dia, um turista desavisado fez sinal para o seu táxi.

— Poxa... Quanto tempo não pego um bofe. Vou parar!

O homem entrou e cumprimentou:

— Boa noite!

— Boa noite, amor! Jacinto Leite Aquino Rêgo ao seu dispor.

— Como é? Não entendi!

— Falei meu nome todo porque gostei de você,

— Gostou de mim? E que história é essa de "leite aqui no rego? Não sou disso, não.

— o passageiro já estava confuso.

— Olha, meu amor, eu falei meu nome, porém tô achando que você gostou e quer fazer outra coisa comigo! E eu aceito, viu? Faça o que quiser de mim! Vem cá, meu gostosão... Me dá um beijo, meu "gatão"...

— O quê?! Você tá preso!

— Isso, meu amor! Me prende, me leva pra sua casa, me amarra na sua cama e me dá uns tapinhas! Adoro isso...

O que Jacinto não sabia era que o "turista desavisado", na verdade, era o novo delegado da cidade.

O taxista sumiu por alguns dias, deixando suas passageiras na mão. Quando reapareceu, estava com o nariz quebrado e um olho roxo.

— O que foi isso, Jacintinho? Foi aquela brincadeira do tapinha que você tanto gosta de fazer com seus namorados? — perguntou uma passageira, preocupada.

— Mulher... Nem te conto! Quando levei o primeiro safanão, até gostei. Pensei que ele também gostasse de levar uns tapinhas. Então, enchi a mão e dei um tapa no bumbum dele... Mas depois...


Fim

*ALEXANDRE M. BRITO* 



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