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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O HOMEM DO BILAU PEQUENO



Em uma cidade bem pequena, onde todos se conheciam, havia um homem chamado Alfreudson Didático Morfico Urubulino da Silva. Esse homem tinha um grande nome, mas um bilau muito pequeno. Alfreudson tinha também um grande trauma, por onde passava o povo comentava:

- Lá vem o homem do bilau pequeno.
Consequentemente o seu apelido era, "Bilau Pequeno"!
- Bilau Pequeno. Vamos jogar bola hoje?
- Hoje não dá, tenho que sair com minha namorada.
Na realidade não havia namorada alguma, ele só queria se auto afirmar. Andava muito desanimado com a vida porque no passado uma antiga namorada havia ficado com raiva em relação ao que acontecera. No primeiro dia de amor, Alfreudson pifara em sua própria cama após ela ter dito brincando:
- O que você tem entre as pernas só irá me fazer cócegas.
Depois disso ela espalhou pra cidade inteira que além dele ter pifado, também tinha um bilau muito pequeno. A partir de então o coitado não saiu com mais ninguém,  e mentia, porque achava horrível aquela situação. Foi ali que começou sua sina.
- Bilau Pequeno, tudo bem, como vai sua mãe? – outro amigo.
- Minha mãe vai bem, mas vou te mostrar o meu bilau pequeno. Quer ver? Vai pra PQP!!!
Até que veio morar na cidade uma mulher muito bonita que chamava-se Abrelina Décima Nona Caçapavana Piratininga de Almeida. Eles, por um acaso, se conheceram nos campos, fora daquela cidadezinha. Estavam andando a cavalo, e ela caiu, ele muito solícito prontamente a ajudou. Tiveram uma atração mútua e passaram a namorar. Aufreudson começou a pensar como seria o dia seguinte com ela na cidadezinha. Todos o chamando de Bilau Pequeno, não iria dar certo. Como esconder dela que o povo o chamava de Bilau Pequeno? Mesmo assim se ele ficasse com ela e não lhe falasse, um dia ela descobriria. Qual a mulher que iria querer ficar com um homem onde a cidade inteira o chamava de Bilau Pequeno?
Então resolveu contar a verdade, mesmo correndo o risco de perdê-la. Ela respondeu:
- Sem problemas, meu amor! Também vou lhe falar a verdade. Eu saí da minha cidade porque o povo me chamava de Rego Arrombado!

Fim

ALEXANDRE M. BRITO 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

UM PINGUÇO EM MEU TAXI

UM PINGUÇO EM MEU TÁXI

Ao pegar um sujeito, aparentando ter uns trinta anos, fiquei logo arrependido, pois o cara estava com um bafo de cana horrível.

Pediu-me que fosse ao bairro de Madureira e que não precisasse correr. Andei por alguns quilômetros e escutei um barulho estranho. Foi quando olhei e vi que o homem estava dormindo e também roncando.

Se eu fosse outro, poderia ter dado um monte de voltas para que o taxímetro marcasse mais, e o dorminhoco nem notaria. Meio sem graça, resolvi chamá-lo:

Amigo, me desculpe acordá-lo, mas o senhor esqueceu de me dizer o nome da rua.

Ah, leve-me para uma sauna que tem em Madureira, mas antes, pare naquele bar ali – disse ele, sonolento.

Do carro, vi que ele tomou uma pinga e ainda veio bebendo uma cerveja em lata.

Toca aí, piloto!

O senhor me faz um favor? Toma cuidado para não entornar a cerveja no banco.

Mal terminei de falar, e o pé de cana entornou tudo em seu colo, molhando o banco também.

Olha só, acabei de falar, e o senhor entornou tudo. Dormiu de novo?

Não faz mal, ainda tenho dez reais, dá para comprar mais duas latinhas de cerveja e a calça seca rapidinho – disse ele.

Não faz mal!? O senhor molhou o banco e vai ficar cheirando a cerveja... Além disso, que história é essa de só ter dez reais?

O taxímetro já estava marcando vinte reais, e o malandro tinha dito que só tinha dez reais. Ele se entregou.

Não esquenta, não, no final vai dar tudo certo – disse o safado.

Acho melhor dar tudo certo mesmo, hein!? Por que o senhor não vai para casa? Assim vai poder dormir em sua cama.

Em sua casa poderia ser que ele tivesse o dinheiro da corrida, ou então, eu cobraria de algum parente...

Ir para casa!? Você está maluco? Minha mulher me botou para fora e não quer me ver nem pintado.

Imagino o que o senhor não aprontou...

Eu estava pressentindo que vinha confusão pela frente.

Olha aqui, não conheço nenhuma sauna em Madureira. Outra coisa, quero saber como será o pagamento dessa corrida.

Está vendo aquela rua ali? É lá, entra nela... Fica tranquilo, taxista...

Chegando ao final daquela rua, não havia sauna nenhuma. Quando fui perguntar de novo, olhei para o lado e ele estava dormindo novamente.

Resolvi ir para um lugar mais movimentado. Estava pensando até em procurar uma viatura policial e dizer que aquele cidadão estava sem dinheiro para pagar a corrida. Foi quando ele acordou, muito estranho, estava pálido, engolindo a seco, e disse:

Pára o carro, pára! Estou com vontade de vomitar.

Dei uma freada brusca, o pinguço acertou a cabeça no pára-brisa, abriu a porta do carro e saiu golfando com a mão na boca. Sujou um pouco o carro de vômito, mas foi o tempo certo. Eu, como não posso ver nem sentir cheiro de vômito, acelerei e saí correndo dali. Tive de ir embora para casa, porque, com o banco molhado de cerveja e também vomitado, não dava para continuar com o trabalho, até porque meu estômago já estava embrulhando. Foi quando me dei conta:

Ih, caramba!!! Além de não cobrar a corrida, esqueci de pegar os dez reais que ele ainda tinha.


Fim

*ALEXANDRE M. BRITO*




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RECANTO DOS CONTOS 
recantodoscontosecausos.blogspot.com

RECANTO DAS POESIAS 
recantodaspoesiasblog.blogspot.com





COM MUITO PESO O CARRO NÃO ANDA



Era véspera de feriado, pleno verão, um calor escaldante, nem o ar condicionado do carro dava vazão. Tinha acabado de chegar ao ponto, quando um colega pediu-me que levasse um passageiro que acabara de ligar. Alegou que seu carro era pequeno...  Então, passou-me o endereço e me desejou boa sorte.
Estranhei, porque eu era o quarto da fila, além dele ainda tinham mais dois na minha frente. Como eu era novo naquela Associação de Taxistas e no ponto também, logicamente, ainda não conhecia bem os usuários daquele local.
Como meu carro tinha um bom porta malas, fui com maior prazer, achando que tratava-se só de algumas bagagens. Fui também pensando que pudesse ser uma ótima corrida, do tipo, aeroporto ou até mesmo uma viagem para Região dos Lagos por exemplo.
Chegando ao local avistei um cara não muito grande, mas com uma barriga enorme, num bar ao lado do endereço prescrito. O sujeito estava em pé com um copo de cachaça na mão e portava uma bolsa em baixo do braço com uma mala aos seus pés. Sem saber de nada, saí do taxi e fui tocar a campainha... Quando de repente, saiu um cara enorme de dentro da casa, com uma quantidade enorme de malas e foi dizendo logo que queriam ir para a rodoviária.
Disse a ele que talvez o carro não desse e que seria melhor chamarmos outro taxi para ajudar... nem que fosse só para levar as bagagens. Foi quando o sujeito, muito zangado, disse-me que a pessoa que  atendera o telefone, dissera-lhe que iria mandar um carro grande. Portanto ele não queria pagar outro taxi. E ainda acrescentou que o sujeito que estava no bar também iria e pelo caminho ainda teríamos de pegar outra pessoa.
Após arrumarmos o carro com todas aquelas bagagens, onde até no teto do carro tivemos de amarrar bugigangas, conseguimos nos ajustar no interior do veiculo. Apesar de eu ter ficado mais confortado em relação a eles, passei sim por algumas dificuldades.
Saí dali muito revoltado, principalmente com o colega que me passou a corrida e não me avisou nada. Com os outros dois taxistas também estavam parados à minha frente no ponto. Ficaram todos na "surdina", fizeram "Ouvidos de mercador", ficaram na "moita". "Mui amigos", todos eles...
O taxi saiu abarrotado, pior era a catinga que vinha do sovaco do grandão. Além disso, aquele outro homem que estava em pé no bar também estava com um bafo de cana horroroso. Mais parecia um alambique, ruim de suportar. Para completar arrotava o tempo todo soltando aquele vapor terrível. 
Minha preocupação naquele momento era em relação a outra pessoa que ainda iríamos pegar. Se ela fosse grande também não iria caber mesmo. Eu teria de tomar uma decisão, até porque, eu poderia levar uma multa ou mesmo o táxi sair com alguma avaria. 
Chegando ao local, apareceu um magrinho todo perfumado. Pensei que estivesse no endereço errado, mas o grandão falou:
- Ôh...Cremilson! Cadê as malas?
- Pra que malas, se nós vamos ficar fora só três dias? Estou levando só essa mochila. - disse o magrinho.
Fiquei com pena do carinha, quando ele entrou no carro ficou esmagado, sumiu entre as bagagens.
Se meu estômago já estava embrulhado eu imaginava o do magrinho que estava coladinho a eles e com a cara no sovaco do "grandão metido". Os cheiros estavam se misturando. O perfume do pequeno, o aroma das axilas do grandão e o bafo de cana do pinguço. Foi um tremendo sufoco, porque haviam me pedido pra ligar o ar condicionado, o carro encontra-se todo fechado.
Até que não aguentei e disse-lhes que, por causa do peso, teria de desligar o ar para que o carro pudesse desenvolver mais, e automaticamente teria de abrir os vidros. O menorzinho gostou da ideia, mas o grandão não gostou, e falou:
- Pô, motorista, vai ficar um calor danado aqui dentro.
- Amigo se eu não desligar o ar esse carro não vai andar. Vamos com ar natural, mesmo. - disse a ele.
- Além do mais está um fedor danado aqui, acho que alguém pisou na merda. - disse o magrinho.
- Ihhh, foi eu quem pisou! - disse meio sem graça o pé de cana que estava caladinho.
Até então não havia sentido aquele novo cheiro, mas aproveitei o ensejo e parei o carro rapidinho, quase vomitando, e disse para ele olhar e ver se não havia sujado o tapete do taxi.
Foi quando o "grandão folgado", falou:
- Ele não tem obrigação de olhar se teu carro está sujo, não.
- Eu é que não tenho, amigo! Se eu abaixar a cabeça pra ver coco, vou acabar vomitando. - disse a ele.
Após aquela confusão, o "pé de cana" esfregou o pé na grama, mas aquela mistura de aromas fedorentos continuava.
Foi aí que peguei uma subida, o carro não aguentou e começou a pipocar, já estava com cheiro muito forte de queimado e começou a sair fumaça do motor. Nunca senti tanto prazer em ver meu carro enguiçado. Então, disse a eles que era final de linha porque o carro havia enguiçado.

Ficamos a pé na ladeira, tive de descer para chamar o reboque pelo telefone público que  acabara de passar e eles tiveram de subir com aquelas malas por que ali era meio deserto e dificilmente passaria outro taxi.

Fim

ALEXANDRE M. BRITO 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

IRINEU E AS BIBAS-"Humor"



Duas bichinhas entraram num taxi. Logicamente o taxista perguntou-lhes o trajeto. Elas falaram juntas, só que, cada uma falou um local diferente. Ele na dúvida ficou parado sem saber pra onde ir, até porque, um local era o inverso do outro.
- Desculpa moooço! Essa maluca prometeu que me levaria pra conhecer uma boate, agora, quer ir pra casa.

- Maluca não, hein, sua bichona! Eu te falei que estou com sono e vou para os braços de Morfeu, poderia ser do Irineu, mas infelizmente parece que estou indo para o museu, dormir ao lado dessa múmia.
- Eeeepa! Que negócio é esse de múmia? Você que é uma baranga, com esse peito murcho, aí! E para de falar do Irineu, o nome dele não é osso pra andar na boca de cachorra...
O taxista teve de intervir:
- Mas, afinal, eu vou pra qual lado, pra direita ou pra esquerda?
- Pra direita...
- Você é traíra, prometeu e não quer cumprir, eu vou nem que seja sozinha... Seu "moooço"... toca pra esquerda, pra boate que lhe falei, tá bom?
- Olha aqui, sua biba, foi eu quem fez o sinal para o táxi, portanto, ele vai me levar para casa, ouviu!?
- Vai levar pra casa é uma ova, nem que eu tenha que sentar no colo dele pra dirigir esse carro.
- Epa... no meu colo, não! Podem parar com isso já, ou vou acabar botando as duas pra fora. - o motorista interrompeu, muito brabo.
- Ih! O bofe tá nervoso...
- E não é para estar? Vocês não param de discutir, até agora eu não saí do lugar.
Aquilo fez com que elas mudassem de ideia.
- Tá bom, "moooço", pode ir para a boate.
- Não... pode ir pra casa, desde que, você entre pra tomar uma bebidinha com a gente.
- Olha, aqui, vocês estão de sacanagem comigo, né? Agora que uma decide ir para um lado, a outra decide ir para o outro, além do mais eu não bebo. - disse o Taxista.
- É, vamos pra casa mesmo, só assim eu vejo o Irineu.
- Sua vagabunda! É a segunda vez que você fala o nome do Irineu.
- Se me chamar de vagabunda de novo, vou meter a mão na sua cara, Mocréia desvairada!
- Mais quem é esse Irineu, que vocês tanto falam? - perguntou o taxista.
- É o cachorro dessa bicha velha.

Fim

ALEXANDRE M. BRITO 

VOVÓ CENTENÁRIA MIJOU EM MEU TAXI.



Estava eu dirigindo meu taxi numa noite linda e agradável, muitos passageiros pelas ruas, quando duas senhoras fizeram sinal. Ao entrarem no carro, a velhinha que estava de muleta, por sinal, muito faladeira, foi logo dizendo:
- Meu filho, hoje faço cem anos. 

Educado como sou, elogiei-a dizendo que ainda estava "muito inteira" para a idade que tinha. 
A acompanhante, que mais parecia ser sua mãe, disse: 
- E ela adora tomar uma cervejinha. 
Aí pensei... essas velhas estão tirando onda com a minha cara. Mas respondi: 
- Quer dizer, então, que a senhora com essa idade, não toma remédio, né? Toma uma cervejinha... 
- Tomo remédio, sim... diurético pra pressão. Falou a anciã mor. 
Papo vai, papo vem... eu não saía do lugar. Então, tive que falar: 
- Olha... a conversa está muito boa, mas esqueceram de me dizer pra onde vão. 
- Ah! Desculpe, nós vamos para a Lapa. Falaram as duas juntas. 
- E vamos bebemorar. Disse a vovó centenária. 
Aí, pensei de novo... elas estão de sacanagem comigo. 
Ao chegarmos ao local solicitado, elas, com um sorriso de orelha a orelha, felizes que nem pinto no lixo, falaram: 
- É aquele barzinho ali, que está tocando funk. 
Eu quase tive um troço....mas, pagaram a corrida, despediram-se e saíram. Só que, esqueceram de me dizer que a velha tinha urina solta. Ela mijou o carro todo... Acabei frustrado, pois a noite que estava bombando acabou. Enquanto elas foram pra night, tive que ir direto pra casa.

Fim

ALEXANDRE M. BRITO